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EBD - Como a Vida Presente e Seus Confortos Devem Ser Usados
15/06/2026 · 1 Coríntios 7:31
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“Usa as dádivas de Deus com gratidão ao seu Autor, sem dar vazão à carne nem desprezar o deleite legítimo.”
- Texto-base
- 1 Coríntios 7:31
- Paulo escreve à igreja de Corinto tratando de questões práticas da vida cristã. No contexto imediato (7:29-31), o apóstolo exorta os crentes a viverem com urgência escatológica: o tempo é curto e a forma presente deste mundo está passando. O versículo 31 resume essa postura: usar o mundo sem se apegar a ele, pois tudo que pertence a esta era é transitório. O Salmo 104, também citado na lição, celebra a providência generosa de Deus na criação, destacando que ele dá vinho para alegrar o coração do homem e azeite para lhe dar brilho ao rosto — evidenciando que as dádivas terrestres não são apenas necessidades básicas, mas expressões da bondade divina.
- 1 Coríntios 7:31
- Ideia central
- Como peregrinos rumo ao destino celestial, os cristãos devem usar os bens e confortos da vida presente segundo o propósito do seu Criador — para necessidade e legítimo deleite —, evitando tanto a austeridade que vai além das Escrituras quanto a libertinagem que dá lugar à carne, e reconhecendo em cada dádiva o Autor generoso que a concedeu, a fim de responder com coração grato.
- Esboço da mensagem
- 1. O contexto: último capítulo de uma jornada de piedade0:30
- Revisão dos capítulos anteriores — chamado das Escrituras, abnegação, sofrimento e meditação sobre a vida futura — e introdução à pergunta final: como usamos a vida presente e seus confortos?
- 2. A metáfora do peregrino e o chão escorregadiço10:04
- Somos peregrinos rumo ao destino celestial (1 Co 7:31; Hb 11). O uso dos bens deste mundo é como caminhar pela crista de uma montanha: podemos cair para o lado da austeridade ou para o da libertinagem.
- 3. Primeiro risco: a austeridade
- A conclusão de que só o estritamente necessário é permitido vincula a consciência além das Escrituras e priva o cristão do gozo legítimo da bondade divina — uma filosofia que Calvino chama de 'inumana'.
- 4. Segundo risco: a libertinagem14:14
- Tomar a liberdade cristã como licença irrestrita para ceder à carne é o outro extremo. A liberdade não elimina os princípios gerais que as Escrituras fornecem para o uso das coisas externas.
- 5. A regra bíblica: o propósito do Autor16:12
- Não cometeremos erro no uso das dádivas de Deus desde que sejamos governados pelo propósito do Autor ao criá-las — para o nosso bem, não para a ruína (cf. Tg 1:13). O Salmo 104 celebra essa generosidade: vinho, azeite e alimento dados para alegria, beleza e sustento.
- 6. O alvo final: reconhecer e ser grato ao Autor27:44
- Todas as dádivas foram concedidas para que, no seu desfrute, conheçamos e glorifiquemos a Deus. Quando o deleite obscurece a mente, alimenta a carne ou impede os deveres de piedade, extrapolamos o limite bíblico.
- 1. O contexto: último capítulo de uma jornada de piedade0:30
- Doutrinas · Confissão de 1689
- Providência e bondade de Deus — ele concede os bens terrenos para o bem do ser humano, não para sua ruína
- Cap. 5 - Da Divina Providência
- Criação boa e generosa — todas as criaturas e dádivas naturais foram criadas por Deus e declaradas boas
- Cap. 4 - Da Criação
- Liberdade cristã e consciência — a consciência não pode ser vinculada a estatutos além do que as Escrituras ensinam, mas a liberdade não é licença para a carne
- Cap. 21 - Da Liberdade Cristã e de Consciência
- Santificação — o cristão é chamado a crescer em piedade, usando os bens do mundo com autocontrole e gratidão ao Senhor
- Cap. 13 - Da Santificação
- Boas obras — o uso correto e grato das dádivas terrenas faz parte da vida de obediência e serviço ao Senhor
- Cap. 16 - Das Boas Obras
- Lei de Deus — as Escrituras fornecem princípios e regras gerais para o uso das coisas externas sem vincular a consciência além do que está revelado
- Cap. 19 - Da Lei de Deus
- Providência e bondade de Deus — ele concede os bens terrenos para o bem do ser humano, não para sua ruína
- Aplicações
- Pessoal
- Examine seus hábitos de consumo (alimentação, vestuário, entretenimento, tecnologia): eles estão sendo usados segundo o propósito do Criador ou estão cedendo à carne?
- Cultive o hábito de dar graças antes de cada refeição e ao receber qualquer bênção material, reconhecendo a Deus como Autor de toda boa dádiva.
- Identifique um bem ou conforto que tem obscurecido sua mente ou negligenciado seus deveres de piedade (oração, leitura bíblica, serviço ao próximo) e estabeleça limites concretos e deliberados.
- Medite regularmente no Salmo 104 como forma de aprender a admirar a generosidade de Deus na criação e responder com adoração genuína.
- Família
- Ensine os filhos que os presentes e confortos da vida (brinquedos, comida, tecnologia) vêm de Deus e existem para nosso bem — e que há limites bíblicos no seu uso.
- Pratique a gratidão à mesa: que cada refeição seja uma oportunidade de reconhecer juntos a bondade do Criador, sem pressa e com palavras concretas de louvor.
- Estabeleça como família critérios bíblicos para o uso de tecnologia e entretenimento, evitando tanto o puritanismo excessivo quanto o consumo sem limites e sem reflexão.
- Use momentos de deleite familiar (passeios, refeições especiais, festas) para apontar para a generosidade de Deus e cultivar alegria com gratidão, mantendo os olhos na eternidade.
- Igreja
- A comunidade deve evitar impor regras de austeridade que vão além das Escrituras, respeitando a liberdade de consciência dos membros no uso de coisas externas.
- Pregar e ensinar sobre mordomia cristã de forma equilibrada: nem legalismo ascético, nem teologia da prosperidade, mas uso fiel e grato das dádivas de Deus.
- Celebrar as bênçãos de Deus na comunhão (como nas refeições comunitárias e na Ceia do Senhor) como expressão de gratidão ao Criador de toda boa dádiva.
- Discipular os membros a viverem como peregrinos — com leveza em relação aos bens materiais e olhos fixos na eternidade — sem desprezar o legítimo deleite nas boas dádivas presentes.
- Pessoal
- Perguntas para estudo
- O que significa, na prática, usar o mundo 'como se dele não usássemos' (1 Co 7:31)? Como essa postura difere tanto da austeridade quanto da libertinagem?
- Segundo a lição, qual é a regra fundamental para o uso correto das dádivas de Deus? De que forma o Salmo 104 ilustra concretamente essa regra?
- Você se identifica mais com o risco da austeridade (usar só o necessário) ou o da libertinagem (usar sem freios)? O que em sua história ou temperamento contribui para isso?
- Como saber quando o desfrute de um bem legítimo cruzou a linha e passou a obscurecer sua mente ou a prejudicar seu relacionamento com Deus e com o próximo?
- De que maneira a perspectiva de sermos 'peregrinos rumo ao destino celestial' deve mudar concretamente a forma como você lida com dinheiro, posses e confortos do dia a dia?
- Quais são os bens concretos em sua vida pelos quais você raramente agradece a Deus como seu Autor? O que impede essa gratidão, e como você pode cultivá-la de forma mais consistente?
- Versículo para memorizar
- 1 Coríntios 7:31
- “E os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem, porque a aparência deste mundo passa.”
- 1 Coríntios 7:31
- Textos paralelos
- Salmo 104:14-15 — Deus dá vinho para alegrar o coração do homem, azeite para lhe dar brilho ao rosto e alimento para sustentar suas forças
- 1 Timóteo 4:4-5 — tudo o que Deus criou é bom e nada é de rejeitar quando recebido com ação de graças
- 1 Timóteo 6:6-10 — a piedade com contentamento é grande ganho; o amor ao dinheiro é raiz de todos os males
- Filipenses 4:11-13 — Paulo aprendeu a contentar-se em qualquer estado, tanto na abundância quanto na necessidade
- Eclesiastes 5:18-20 — desfrutar do trabalho e das bênçãos da vida é dom de Deus ao ser humano
- Colossenses 3:17 — tudo o que fizerem, em palavra ou obra, façam em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai por meio dele
- Próximo passo
- Leia o capítulo 21 da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 (Da Liberdade Cristã e de Consciência) e medite em como a liberdade cristã se distingue da licença para a carne. Em seguida, estude 1 Timóteo 4:1-5 e 6:6-19 como aprofundamento bíblico sobre o uso dos bens terrenos, e avalie com honestidade quais áreas da sua vida precisam de maior equilíbrio entre o gozo legítimo das dádivas de Deus e o autocontrole piedoso — registrando por escrito uma área específica e um passo concreto de mudança.
- Temas
- Consolo e esperança
- Lei e Evangelho
- Mordomia e finanças
- Piedade e vida devocional
- Santificação
- Soberania e providência de Deus