1. Discipulado - Parte 2 - Pr Wilson Porte Jr
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Transcricao do sermao
[00:03:45] abram suas bíblias comigo lá, por favor. Gálatas, capítulo 6, versículo 6. Discipulado é mostrar a outros o caminho que um dia nós mesmos aprendemos a seguir. Daí vem a ideia de catequese. Aí Gálatas 6, 6 diz, mas aquele que está sendo instruído na palavra, faça participante de todas as coisas boas, aquele que o instrui.
[00:04:22] Aí aparece duas vezes a palavra catekel. Na palavrinha instruído, que está no começo do versículo, mas aquele que está sendo instruído. E no finalzinho, quando diz todas as coisas, aquele que o instrui. Então catekel aqui é traduzido pela palavra instrução.
[00:04:39] Nas duas formas aqui. De modo que catequizar é o ato de instruir a outros na mesma instrução que um dia nós mesmos fomos instruídos. E isso é discipular. A palavra discipulado, na verdade, ela é moderna, gente. Se a gente for olhar na história da igreja, que já tem dois mil anos, você não vai encontrar essa palavra discipulado de 1900 anos para trás.
[00:05:05] Em mais de 1900 anos de história, a palavra foi catequese. Desde a época dos pais da igreja até pouco tempo atrás, quando começamos a usar a palavra discipulado. A palavra discipulado é uma palavra moderna, inventada por nós recentemente.
[00:05:19] Mas é uma palavra que casou e que todo mundo usa. É como a palavra missões. A palavra missões, missionário, também é uma palavra moderna. Não está na Bíblia e nem mesmo na história da igreja. Eram outros termos que eram usados ao longo da história da igreja para significar pessoas que iam para outros lugares, para pregar o evangelho a pessoas que não o conheciam.
[00:05:37] De modo que a ideia é de catequizar, de instruir, de trazer ensino às pessoas. E essa mesma palavra, catequel, ela vai aparecer oito vezes em sete versículos do Novo Testamento. E um deles é esse daqui que nós o lemos, não é?
[00:05:54] E ela possui relações estreitas com outra palavra, relações estreitas com outra palavrinha grega, que é a palavrinha didaqué, que significa ensino e também instrução no Novo Testamento. E os cristãos, desde o início, eles têm essa prática de instruir um ao outro.
[00:06:10] Isso não é uma coisa moderna. A palavra pode ser moderna, discipulado, mas essa prática de instruir um ao outro, vamos sentar juntos, vamos fazer uma classe, vamos nos encontrar no final de semana, vamos nós aqui, entre família, fazer assim?
[00:06:22] Isso é uma coisa antiga. Desde o início, os cristãos têm instruído uns aos outros nos fundamentos da fé. É assim que a Igreja de Cristo tem permanecido até os dias de hoje, por meio da instrução. Hoje, nós temos esse privilégio de instruir alguém com amor e dedicação, não é?
[00:06:41] Estando certos de que cada esforço que nós fizermos nunca será em vão. Quando a gente se senta com alguém para a gente instruir aquela pessoa, por meio do Evangelho, por meio da palavra, por meio de uma sã doutrina, por meio de um livro, por meio de um catecismo, por meio de um material que eu tenho à minha disposição para usar, por meio de um estudo bíblico que eu preparei para fazer com aquela pessoa,
[00:07:06] isto é um privilégio. É algo que Deus me concedeu para que eu, então, possa levar outras pessoas a seguirem após Cristo. Pouco se fala ou pensa nisso, mas vir após Cristo, tomar a cruz, seguir a Jesus, ou seja, tornar-se um discípulo, tem a ver com você ser transformado dia após dia a imagem de Cristo.
[00:07:34] E essa transformação diária é o que nós chamamos de discipulado. É uma transformação diária. E negligenciar o discipulado, essa prática, é negligenciar a própria vida. Uma vez que, quanto mais transformados a gente é, mais felizes nós somos.
[00:07:55] Quanto mais parecidos com Cristo nós estamos, mais felizes nós somos. Só quem não passa por esse processo, ou não leva outro a passar, é quem ainda não descobriu a alegria, a satisfação que existe em perceber, na vida do outro, a transformação acontecendo, o crescimento tendo o seu lugar.
[00:08:14] É quase automático para o coração de um discípulo chamar outros para que venham e vejam aquele de quem as profecias falam. É isso que a gente vê no Novo Testamento. Para um verdadeiro discípulo de Jesus, chamar outros para falar dele, é como um homem que ama profundamente a sua esposa, querer falar dela para um amigo, querer falar dela para um parente, querer falar dela para alguém que pediu para que apresentassem.
[00:08:42] Por exemplo, se o Guilherme chegasse aqui e falasse, fale da sua esposa. O que eu falaria da minha esposa? Minha esposa não é uma mulher perfeita, ela tem os defeitos dela, como eu tenho os meus. Mas o que vocês acham que eu ia falar dela para vocês?
[00:08:52] Eu ia falar das coisas que eu mais admiro, que eu mais amo nela. Assim é quando a gente olha para Cristo, e Cristo é o nosso noivo, e Ele não tem defeitos. Ele é totalmente perfeito. E com a mesma ênfase, com o mesmo gosto que a gente usa para falar de nossos parentes, para falar dos nossos familiares, para falar dos nossos filhos, nós devemos falar de Cristo também.
[00:09:16] Falar de Jesus, seja evangelizando, seja discipulando, é algo natural quando a gente o ama de todo o nosso coração. Mas como é que a gente alcança um coração assim? E é simples, é conhecendo-o. Conhecendo Jesus. De que maneira a gente conhece Jesus?
[00:09:35] Sendo discipulado. Perceba então que é bom que ou você esteja discipulando, ou você esteja sendo discipulado. Você esteja instruindo, ou você esteja sendo instruído por alguém. Você esteja catequizando, ou sendo catequizado por alguém.
[00:09:53] Se você não conhece a Jesus direito, como é que você pode se dizer um discípulo dele? É só quando a gente o conhece de verdade, é que a gente consegue amá-lo com todo o coração. E quando a gente ama ele assim, a gente passa a falar dele com naturalidade, com prazer, sem medo, sem timidez, sem vergonha, sem dúvida, sem qualquer outro sentimento dessa natureza.
[00:10:17] E a razão é uma só, é porque a gente o ama com todo o nosso coração. E é aqui que entra o discipulado. A instrução, ela tem por objetivo ajudar os outros a conhecerem melhor a Cristo. E conhecendo-o melhor, através desse discipulado, fazer com que essa pessoa o ame mais, e fale dele com mais prazer para os de fora, para os seus parentes, para os seus amigos, para os seus familiares, etc.
[00:10:44] E esse discipulado pode se dar de que maneira? Pode se dar em casa. A gente pode fazer em casa, eu com a minha família, usando um livro, usando a Bíblia, usando um catecismo, não é? Eu vou falar mais sobre o catecismo agora.
[00:11:01] Usando um guia. De que maneira eu posso fazer? Eu posso fazer numa classe de escola dominical na igreja, ou várias classes que se dividam. A gente pode fazer isso de maneira informal também, onde uma pessoa chama outra pessoa para um momento específico na semana, onde elas vão sentar para estudar um livro específico.
[00:11:20] Ou eles vão estudar uma passagem da Bíblia. Ou vão estudar um livro da Bíblia. Ou vão, enfim, comentar uma série de sermões que ambos estão ouvindo, e que estão sendo pregadas por um pregador fulano de tal. E os dois estão escutando ao longo da semana aquela série, e aí eles se sentam num determinado dia para discutir o que eles ouviram.
[00:11:44] Onde um instrui o outro. Enfim, há tantas formas, não é? Há uma frase interessante, que eu li há um tempo atrás, que diz que na época da realização da Assembleia de Westminster, que confeccionou a grande confissão de fé de Westminster, que é um dos documentos da história da fé reformada, da igreja reformada, mais conhecidos e mais importantes, lá por volta de 1640, quando os puritanos, nossos irmãos do passado,
[00:12:13] eles passaram a considerar a falta de culto doméstico e a falta da catequização na igreja como a evidência de uma vida sem conversão no meio do povo de Deus. Como é que eles percebiam que a igreja estava se esfriando naquele tempo?
[00:12:32] Não havia culto doméstico, não havia catequização. Isso precisava ser restaurado. A igreja precisava voltar a falar do discipulado. Naquela época não tinha essa palavra, então eles passavam a falar de catequização. A gente tem que falar disso, eles diziam.
[00:12:49] Nós precisamos voltar a falar da necessidade de nós, dentro de nossas casas, orarmos mais juntos. De nós orarmos juntos, lermos a Bíblia juntos. Um catecismo tem esse objetivo específico de discipular, de instruir pessoas nos princípios da fé.
[00:13:09] E catequizar uma pessoa, discipular ou ensinar um catecismo, significa justamente isso. O que é o catecismo? É um documento, não sei se todos aqui conhecem, se não conhecem, é importante que você saiba, um documento feito por meio de perguntas e respostas.
[00:13:26] Nós temos vários documentos, vários catecismos. Nós, batistas reformados, usamos de uma maneira bastante comum o catecismo de Spurgeon, também chamado de catecismo de Kitt, ou também chamado de catecismo batista. São vários nomes para o mesmo documento.
[00:13:45] E são várias perguntas, várias perguntas, com uma pequena resposta e alguns versículos bíblicos. Fazer disso um texto diário na minha casa. Fazer um texto diário na sua casa, fazer isso uma classe na escola dominical. Fazer disso um momento do culto.
[00:14:01] Quantas igrejas não fazem disso? Vamos fazer no meio do culto o momento quando a igreja vai ler. Aliás, o dirigente do culto vai ler a pergunta do catecismo, e a igreja vai ler a resposta. E aí depois se abrirão as Bíblias, e se conferirá na Bíblia aquela doutrina que foi anunciada para a igreja.
[00:14:21] Isso pode ser feito no culto, isso pode ser feito na casa, isso pode ser feito na classe, isso pode ser feito num encontro, isso pode ser feito entre um pai e um filho, isso pode ser feito entre irmãos, isso pode ser feito.
[00:14:32] Isso é catequizar por meio de um catecismo, isso é se instruir, isso é discipular. Isso tem momentos de início, de meio e de fim. Discipulados não acontecem para o resto da vida. Podem acontecer, mas não necessariamente.
[00:14:49] Você pode estabelecer com os seus amigos um momento para começar, vamos estudar esse livro juntos. Terminou o livro, terminou o discipulado. Ah, eu gostei disso, tá bom, então vamos pensar num outro, vamos começar de novo.
[00:15:00] Eu quero continuar sendo instruído por você, porque eu vejo muita sabedoria na irmã, e a irmã pode me ajudar. Então uma mais jovem sendo instruída por uma irmã mais velha, ou vice-versa. A mesma coisa entre jovens, entre homens, entre casais.
[00:15:17] Todas as vezes que nós falamos de catecismos, não é o catequização, alguns imediatamente pensam que coisa de católico, católico romano. Mas é bom que se diga que os católicos também usam catecismo. Quando a gente olha para a igreja católica apostólica romana, eles também falam de catequizar.
[00:15:36] Mas catecismo não é coisa de católico. Catecismos surgiram nas igrejas da reforma. A igreja católica, na verdade, depois do concílio de Trento, foi que começaram a usar os catecismos também, para a instrução do seu próprio povo.
[00:15:56] Então, eles usaram, roubaram, digamos assim, no bom sentido, no melhor sentido, aquilo que nasceu nas igrejas reformadas, porque eles viram que a coisa é boa e funciona na instrução do povo de Deus, nas suas próprias fileiras.
[00:16:14] Não tem dúvidas hoje de que os católicos romanos são os que mais fazem uso de catecismo. O grande catecismo da igreja católica romana, que é a base de doutrina da fé católica romana, as catequeses para discipular os novos católicos na fé da igreja.
[00:16:29] Mas um catecismo não é algo que pertence a uma entidade ou uma tradição cristã. Não pertence aos romanos ou reformados. O catecismo nada mais é do que uma forma simples de ensinar as pessoas naquilo que se acredita dentro de uma tradição ou dentro de uma religião.
[00:16:45] Feito, então, de perguntas e respostas, um catecismo tem esse objetivo de ensinar doutrinas de um modo simples, prático, rápido, sem rodeios, pergunta e resposta. E, como eu disse para vocês, em alguns casos, contextos prova.
[00:17:02] Catecismos são assim. Confissões de fé, diferentemente, declarações inteiras. O que cremos sobre a Bíblia? Cremos isso, isso, isso. O que cremos sobre Deus? O que cremos sobre o Espírito Santo? O que cremos sobre os anjos?
[00:17:15] O que cremos sobre Satanás? Textos, passagens bíblicas. Confissões de fé fazem isso. Então, trata-se de uma forma de nós praticarmos o que nos é recomendado na Escritura. A gente vai ler o texto de Deuteronômio no final, que fala para a gente que nós devemos, um para o outro, instruir um ao outro, que nós devemos colocar o texto da palavra diante dos olhos uns dos outros.
[00:17:41] Isso é importante para que nós mantenhamos viva a chama da palavra de Deus na vida um do outro. Então, trata-se de uma forma de nós passarmos às pessoas aquilo em que um dia nós cremos, aquilo que um dia nós mesmos recebemos.
[00:17:54] A primeira pessoa a dar instrução, o nome de catecismo, foi um reformador chamado Andreas Altamer, em 1528. Ele foi o primeiro a dar esse nome catecismo. Ele foi um dos reformadores alemães. Ele foi aluno de Martinho Lutero.
[00:18:14] E, após Altamer, muitos outros reformadores se valeram da mesma palavra para designar esse tipo de ensino cristão. Hoje, inclusive, eu repito aqui, os católicos romanos se valem da palavra catecismo para fazer a catequização, algo que nasceu com os evangélicos, com os reformados, para a instrução daqueles que estavam dentro da tradição cristã na fé reformada.
[00:18:38] Na história da igreja protestante, o uso de catecismo também sempre foi bastante intenso. Quando a gente olha para a Kinderminster, na Inglaterra, no pastorado de Richard Baxter, que é um dos pastores mais respeitados e admirados pelos pastores na história do cristianismo, um dos pastorados mais brilhantes e mais abençoados e prósperos na história da igreja, ele é considerado por muitos como o mais influente e bem-sucedido,
[00:19:10] justamente pela marca que tinha do uso dos catecismos na igreja e de casa em casa, de como ele conseguiu aplicar isso na casa das pessoas. E, além de Baxter, a gente vê também Martinho Lutero, João Calvino e tantos outros que usavam regularmente de catecismos ou de livros ou de outros materiais catequéticos, de instrução, de discipulado, que eles mesmos preparavam para usar no discipulado dos seus rebanhos.
[00:19:38] E é muito impressionante que isso tenha sido feito. Quando a gente olha homens tão inteligentes como João Calvino, por exemplo, quem já leu as obras deles sabe que são obras difíceis de se entender, mas nós pegamos os catecismos que eles escreveram, são coisas tão simples.
[00:19:54] Porque qual é o objetivo? É sentar junto e fazer com que alguém possa continuar a entender aquilo que um dia nós entendemos também, de uma maneira simples. E, à medida que a pessoa vai crescendo e vai amadurecendo, a gente vai aprofundando um pouco mais.
[00:20:08] E a gente vai crescendo mais e mais. Durante o tempo da chamada igreja primitiva, era comum também o termo catecismo, embora eles ainda não usassem esse nome, era usado principalmente na preparação de pessoas para o batismo, para a classe do batismo.
[00:20:27] Agostinho foi um dos pais da igreja que usou muito a instrução catequética. Tem um documento que foi escrito entre 95 e 115 d.C. Mais ou menos na época que o apóstolo João estava vivo. Foi escrito pelos irmãos da igreja de Antioquia da Síria.
[00:20:42] Ali onde Barnabé foi pastor junto com Paulo. Lembra? Quando o Espírito Santo chamou eles para serem missionários, eles saíram nas viagens missionárias lá de Atos dos Apóstolos. Eles eram pastores lá em Antioquia da Síria.
[00:20:54] Naquela igreja, eles escreveram um documento chamado Adidaquê, ou Ensino dos Doze Apóstolos. Até hoje você pode encontrar esse livro, você pode comprar ele se você quiser, da editora Paulus, ou você pode também entrar na internet e baixar gratuitamente, porque já é domínio público há quase dois mil anos.
[00:21:12] E é um livro que você pode ter no seu computador. Essa instrução. Ali é uma instrução para quem ia se batizar. Até isso você tem como era a instrução para a preparação de alguém que ia se batizar. Se eu quero, por exemplo, hoje, saber como é que se preparava alguém para o batismo na igreja primitiva, em 95, depois de Cristo.
[00:21:36] Está lá na Adidaquê. Como é que tinha que ser a água? Isso é interessante, né? Hoje em dia a gente tem essa discussão entre batista e preteriano, né? E lá eles falam, olha, que se batiza em água viva. E ele diz, a ideia de água viva é em água corrente, água gelada, literalmente água viva, né?
[00:21:57] E a pessoa tem que ser convertida. Mas se não der para ser em água corrente, que seja em água parada. Isso, Antioquia da Síria, a região mais ao norte, perto do Monte Hermon, região fria, ele vai dizendo, se não der para ser em água parada, que seja em água esquentada, água aquecida.
[00:22:13] Se não der para ser com água aquecida, que seja aspergindo três vezes sobre a pessoa. Aspergindo, não. Lançando sobre a cabeça dessa pessoa. Qual que é o termo que ele usa? Três vezes? É em forma de afusão. Mas é outro nome que ele usa lá.
[00:22:31] Que é você pegar um... Não um copo, mas como se fosse uma tigela de esquentar leite. Sabe aquela tigelinha de esquentar leite? E jogar três vezes na cabeça da pessoa, invocando o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
[00:22:46] Dando a ideia de que o que mais importa não é a forma em si, mas a presença da água, a invocação da Santíssima Trindade e a profissão da fé. A pessoa tem que ser crente. Então, isso é muito interessante. A maneira como nós encontramos...
[00:23:04] E isso é ali, perto do ano 100 d.C. E era um material usado na catequização, na instrução de quem ia ser batizado. Então, essa é uma outra ideia também que fica para os irmãos aqui. Uma outra ideia para a igreja. Uma ideia também para vocês enquanto famílias.
[00:23:24] Se eu tenho pessoas que vão ser batizadas, eu preciso ter momentos para que essa pessoa... Por exemplo, lá em nossa igreja, nós temos uma classe de novos membros, onde as pessoas são catequizadas, são discipuladas. Temos uma classe também onde as pessoas que vão ser batizadas também são catequizadas, são discipuladas.
[00:23:43] E temos grupos que se discipulam um ao outro. E pessoas que fazem também assim. E assim, meus irmãos, como os puritanos no século XVII consideravam, como eu disse há pouco para vocês, a falta de catequese como a causa da bagunça dentro da igreja lá naquele tempo, nós também precisamos considerar que a falta de discipulado hoje dentro da igreja de Cristo é uma das causas do vespero que existe hoje dentro da igreja evangélica.
[00:24:16] Se hoje existe um verdadeiro vespero dentro da igreja evangélica, uma bagunça, em boa parte, é porque não existe mais instrução, não existe mais correção. Por que não existe correção? Porque você vai corrigir o quê se você não instruiu antes?
[00:24:32] A mesma coisa que disciplinar uma criança sem antes avisar aquela criança que aquilo era errado. Você vai bater por causa de uma coisa que você não explicou que estava errado? Você tem que avisar antes, para que constitua uma desobediência à instrução.
[00:24:44] Mas não existe instrução. Consequentemente, não há correção. Se não há correção, virou bagunça. E a igreja virou lugar de qualquer coisa, virou lugar de tudo. Sem dúvida, a falta de instrução cristã é o que caracteriza hoje cristãos, vou dizer uma frase aqui que parece contraditória, não é?
[00:25:04] Mas cristãos sem vida convertida. Porque cristão é cristão, deveria ser. Mas hoje a gente vê todo mundo se chamando de cristão. Mas, na verdade, sem viver uma vida de transformação. É uma contradição de termos que, infelizmente, nós vemos muito hoje em dia.
[00:25:21] E se faltar a instrução, se faltar a catequização, o discipulado também vai faltar. Vai faltar vida, vai faltar prática, vai faltar culto doméstico, vai faltar prática devocional, faltar a sabedoria, vai faltar conselho sobre como agir na mais diferentes espécies e situações da vida.
[00:25:46] Por isso, a gente tem que voltar a se preocupar com o discipulado. E, quem sabe, voltar a usar catecismos como os primeiros reformadores usavam. A gente tem que se preocupar com isso, ressuscitar isso, resgatar isso em nossas vidas, em nossas casas, em nossas igrejas.
[00:26:04] Nós temos hoje muitos bons catecismos à nossa disposição. Inclusive, alguns modernos catecismos que lidam com questões modernas, como, por exemplo, o que você pensa sobre aborto? O que a Bíblia fala sobre a eutanásia? O que a Bíblia fala sobre o suicídio?
[00:26:23] O que a Bíblia fala sobre depressão? Eu tenho um livro sobre depressão também. O que a Bíblia fala sobre ansiedade? Temas que não eram tratados pelos irmãos da época da Reforma, porque não eram temas que eram discutidos naquela época.
[00:26:39] Mas são temas que hoje estão na boca de todo mundo. E nós precisamos dar resposta bíblica para tudo isso. Precisamos, ainda que seja consolar pessoas com palavras bíblicas diante da realidade em que vivemos. Nós precisamos desses bons catecismos que estão à nossa disposição.
[00:26:59] E o uso deles vai trazer força e saúde para a igreja. Vai proporcionar membros sadios, membros de igrejas bem instruídos, que sabem o que é ser cristão e que acreditam na palavra de Deus como regra de fé e prática para nós.
[00:27:17] Vai proporcionar cristãos também que sabem como viver como luz do mundo e viver como sal da terra. Eu quero encerrar lendo com vocês Deuteronômio. Vamos abrir lá em Deuteronômio? Depois vai ter um tempo de perguntas e respostas aí.
[00:27:34] Deuteronômio capítulo 6 e capítulo 11. Primeiro 6 a gente vai ler. 6 diz assim, a partir do versículo 4. Escute Israel. Veja como o Senhor enfatiza aí para nós então, não é? Coloque diante de você, coloque diante dos seus.
[00:28:51] A palavra é importante. Agora vamos lá para Deuteronômio 11. Versículos 18 a 21. Deuteronômio 11, 18. Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma. Atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos.
[00:29:20] E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te, e escreve-as nos umbrais da tua casa e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias dos vossos filhos na terra que o Senhor jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra.
[00:29:45] Vejam, meus irmãos, portanto, a ênfase que o Senhor dá de nós colocarmos essas palavras diante de nós. Como é importante que nós discipulemos, como é importante que nós instruamos, que nós levemos aos nossos filhos, levemos aos nossos familiares, levemos aos nossos parentes, levemos aos nossos irmãos, levemos à igreja, levemos a pessoas aquilo que um dia nós mesmos recebemos.
[00:30:12] E assim se faz o discipulado. Gente, discipulado é algo imenso, e eu tive pouco tempo aqui para falar com vocês. Eu quero devolver a palavra para o Guilherme, e quero dar a oportunidade dos irmãos aqui também fazerem perguntas, interagirem, fazerem comentários, se quiserem, antes de nós encerrarmos.
[00:30:34] Então, a gente vai ter um tempo agora de perguntas e respostas. A gente vai até um pouco antes das... até as nove é o nosso horário limite, tá? A gente vai ter um lanche ao final, então não vou embora quando acabar. Vá pensando aí na sua pergunta, se você tiver já, o Renan vai levar o microfone para que você faça.
[00:30:50] Então, eu quero pedir para o Wilson falar... Ali na frente, o Will está com a livraria do Wilson. Então, ali estão alguns livros para que você adquira. Não só você vai estar investindo no seu conhecimento, mas também no próprio Ministério do Wilson.
[00:31:05] Eu vou pedir para ele falar um pouco dos livros que ele escreveu, que ele publicou, ele vai falar um pouquinho de cada um. E eu já queria fazer a primeira pergunta, e aí, respondendo, fica aberto para as perguntas. Minha pergunta é...
[00:31:16] A gente vive numa geração frágil, uma geração mimimi, né? Que a gente chama, em que as pessoas se ofendem por muito pouco. E uma das dificuldades que eu encontro e a gente encontra no discipulado, são pessoas dispostas a serem discipuladas.
[00:31:33] Porque muitas vezes as pessoas vêm de anos de igreja, anos de caminhada em igreja, mas com pouca conversa a gente percebe que as pessoas sabem muito pouco sobre, de fato, o que a Bíblia diz. Então, como discipular ou como catequizar sobre a necessidade de ser catequizado?
[00:31:53] Sem ofender esse tipo de pessoa, dizendo, olha, você não sabe nada e você precisa aprender. Mas como lidar com essa situação delicada, em dizer à pessoa, olha, você precisa ser discipulada, porque toda a sua caminhada de igreja, de anos de igreja, não foi suficiente para você entender o básico da fé cristã.
[00:32:11] Se você falasse um pouco sobre o desafio disso. E falo um pouco sobre os livros, e aí, na sequência, está aberto às perguntas, tá bom? Bom, vamos lá, então. O primeiro livro é esse daqui que eu tinha mostrado já para vocês, um guia para a nova vida, doutrinas básicas para o discipulado cristã.
[00:32:28] Eu já falei dele aqui para vocês, né? Então, não vou repetir. É o livro onde eu falo sobre o discipulado. Mas aqui, Unidos pela Cruz, a mensagem de Efésios para a igreja de hoje. Eu trato sobre a igreja e trato sobre o valor da unidade na igreja cristã.
[00:32:46] Eu exponho o livro de Efésios, versículo por versículo, e demonstro como o senhor, por meio do apóstolo Paulo, fala da importância da unidade no seio da igreja. Então, se você deseja estudar a epístola de Paulo aos Efésios em profundidade, eu sugiro esse livro aqui também.
[00:33:06] Depressão e Graça foi o primeiro livro que eu publiquei. Eu falo sobre o cuidado de Deus diante do sofrimento dos seus servos. Eu mostro na Bíblia várias pessoas que enfrentaram depressão, pessoas que passaram por momentos difíceis, de lutas terríveis, de como a graça de Deus os sustentou nesses momentos.
[00:33:26] Um pregador da graça, eu falo sobre a fé reformada na vida de Benjamin Kitt, e também conto um pouco da história dos batistas, e de um batista reformado do século XVII. Se você não conhece a história dos batistas, nesse livro aqui você vai conhecer de uma maneira bastante introdutória, resumida, um pouco sobre a história dos batistas, e sobre a história de um dos batistas que foi um dos mais influentes
[00:33:49] no começo dessa tradição, esse batista reformado chamado Benjamin Kitt, preso e torturado por sua fé. E o último livro que foi lançado meu, agora no final do ano passado, se chama O Impacto da Humildade, porque Deus se opõe aos orgulhosos, famosos e arrogantes, mas concede graças aos humildes, anônimos e simples.
[00:34:08] Esse livro aqui eu trabalho com... Eu falo muito sobre o orgulho, não é? O título desse livro, na verdade, era para ser... É a primeira vez que eu apresento esse livro aqui, a primeira vez que eu falo dele em uma igreja, desde a pandemia começou.
[00:34:24] E era para eles chamarem a teologia do orgulho, esse livro, porque eu falo muito sobre o orgulho, o que a Bíblia fala sobre o orgulho, não é? E sobre como esse é um problema de todos nós, e como nós podemos lidar com isso.
[00:34:36] Mas a editora quis mudar o título, porque eles acharam que ficaria melhor assim, chamando de O Impacto da Humildade. E eu falo aqui também sobre como nós, aprendendo com Cristo, nós aprendemos a ver uma vida, a viver uma vida, diferentemente de uma vida orgulhosa, uma vida mais humilde.
[00:34:53] Ok? Bom, são esses os livros. Respondendo à pergunta do Guilherme, como é que a gente fala com uma pessoa que ela precisa ser discipulada, né? De uma maneira educada. Eu diria que é quase impossível. Cadê o Guilherme? Está ali.
[00:35:11] É quase impossível isso. Você fala falando. Agora, eu diria que antes você tem que orar, orar e pedir para o Senhor te dar sabedoria naquilo que você vai dizer. Pedir para o Senhor amolecer o coração daquela pessoa. Eu costumeiramente digo também, para as pessoas tocarem, para as pessoas orarem assim.
[00:35:34] Imagina que sou eu orando, né? Senhor, toque no coração de pessoas que o Senhor quer que eu discipule. Eu quero discipular aquele irmão, mas não sei se o Senhor quer que eu discipule aquele irmão. Então, de repente, o Senhor quer que eu discipule um jovem que está aí na igreja, um adolescente, que eu não estou nem pensando nele.
[00:35:51] Então, toque no coração daquele jovem. Faz com que ele chegue perto de mim, faz umas duas, três perguntas. E aí eu vou estar mais ou menos ciente. Eu tenho essa conversa com Deus e a coisa acontece. E ali eu tenho, vamos fazer um tempo juntos de estudo, você não quer?
[00:36:04] A gente pode, eu posso na sua casa, a gente se encontra aqui na igreja, ou você vai na minha casa, que tal, né? E ali começa um momento assim. Então, eu entendo que dessa maneira a coisa anda melhor. Porque é muito difícil você chegar na pessoa e dizer para ela, sem ofendê-la, olha, esses muitos anos de caminhada cristã não serviram de nada.
[00:36:27] Você, é fato, mas como é que você vai dizer isso para a pessoa? Ela vai se tornar... Aí você dá o livro, o impacto da humildade para ela. E diz para ela, olha, lê esse livro primeiro, depois eu tenho uma coisa para te contar.
[00:36:39] Os teus anos de caminhada não serviram para nada, né? Tá bom? Alguém? Pessoal, quem quiser fazer pergunta, levanta a mão. Boa noite, Luz. Você falou sobre a questão do culto doméstico ser uma forma de se pulado ali dentro do lar, com o casal e com os filhos.
[00:37:03] Eu queria saber qual seria o modelo ideal disso, qual formato seria mais eficiente para isso ser tratado. Ótima pergunta. Não existe um formato padrão, né? Mas o formato que as pessoas têm usado ao longo da história é orar, ler a Bíblia, orar.
[00:37:20] Às vezes, colocar uma aí também no meio. Mas aí depende. Depende da família. Não é obrigatória a canção, né? Na época dos puritanos, eles gostavam de cantar hinos, né? Mas nem todos cantavam hinos. Mas duas coisas que não podem faltar é a oração e a leitura bíblica.
[00:37:38] Como é que a gente faz na nossa casa? Na minha família. A gente ora, pedindo ao Senhor que fale conosco, que abra o nosso entendimento. A gente lê um texto da Bíblia, um capítulo, por exemplo, né? Então, a gente está lendo o Evangelho de Lucas agora.
[00:37:53] Então, a gente lê um capítulo junto, depois a gente discute aí o que a gente entendeu desse capítulo, né? Antes, eu já tinha lido aquele capítulo. Então, é importante que o pai, a mãe, se o marido não for convertido, né?
[00:38:05] Já tenha lido, ou pelo menos saiba alguma coisa daquele capítulo. E aí? E a gente discuta aquilo lá, né? A gente aprenda algumas coisas daquele texto, a gente fale. E aí é importante a gente envolver as crianças nessa conversa também.
[00:38:20] E aí, no final, encerrar orando. Orando não só pelo que a gente aprendeu do texto e pela discussão que aquele texto gerou, mas orar, olha, por exemplo, agora na pandemia, como é que está a tua professora da escola? Ela está bem?
[00:38:33] Vamos orar por ela? Você pode orar por ela? Então, envolver as crianças nesse sentido, né? Então, de uma maneira muito simples, e eu costumo dizer rápida, o culto doméstico não pode ser demorado. Culto doméstico que passa de 5, 10 minutos não é culto doméstico.
[00:38:50] É culto de oração de igreja. Não pode ter mais do que isso. Por que nunca foi mais do que isso? Por que... Só um minutinho, vocês estão pedindo microfone. Obrigado. Porque eu já ouvi dizer o seguinte, que o nosso cérebro capta, no máximo, os 10 primeiros no sermão.
[00:39:16] 10, 15 minutos é o suficiente e depois não pega mais. Não sei se isso é verdade. Então, a pergunta é, 5 minutos são suficientes, pelo que você está falando. Então, exato. Quando nós olhamos qualquer material de culto doméstico, não só moderno, mas materiais antigos, normalmente a recomendação sempre foi essa.
[00:39:39] Esses cultos domésticos da época de Richard Baxter, na Inglaterra, em que eles usavam de catecismo, eram momentos de 10, 15 minutos dentro de casa. Eles faziam pouco tempo, mas faziam todo dia. Ok. Ao invés de fazer, vamos fazer um culto doméstico de 40 minutos, mas a gente faz uma vez por mês, entende?
[00:39:58] Até porque é duro com os filhos, até mesmo para a captação e a preparação daquele material. E, muitas vezes, não é um material preparado, é um material lido e um material conversado naquela hora. Então, por exemplo, na leitura de Lucas, como estou fazendo com a minha própria família, a gente lê o texto de Lucas e nós conversamos a partir daquilo que o próprio texto nos informa.
[00:40:25] E inúmeras coisas surgem para nós. No mesmo capítulo, nós temos parábolas, às vezes a gente tem parábola, cura e outras cenas acontecendo, e a gente, vamos discutir isso daqui, vamos conversar sobre aquilo ali, às vezes passa dos 10 minutos.
[00:40:40] Não tem problema que passe. O importante é ter isso no coração, não vamos fazer algo muito longo. Outra pergunta que eu gostaria de fazer é o seguinte. Obviamente, para se fazer o catecismo, no caso, o catequismo, eu, falando de mim, vejo que preciso ter a minha postura em casa, fora de casa, como uma pessoa que realmente quer isso.
[00:41:11] Então, não adianta eu querer catequizar uma pessoa, se o meu comportamento, se a minha fala, ela não condiz com aquilo que eu quero dizer. Então, eu acho que eu entendo que o discipulado começa primeiro comigo, para depois eu exportar isso.
[00:41:34] E aí vem a seguinte pergunta. O jovem, igual o Guilherme comentou, eu vejo que eles estão bem perdidos, mas eles estão, de uma certa forma, não todos, é claro, mas o que tira o jovem do caminho de Deus é o encantamento das outras coisas que não são de Deus.
[00:41:55] Aí vem a pergunta. O que nós, pais ou cristãos, devemos fazer para encantar os outros? É, irmão. São duas coisas, eu creio, que responderiam a essa pergunta. A primeira delas é o que eu devo fazer para encantar, mas a primeira coisa que eu devo fazer é orar por eles, porque eles estão cegos, eles estão perdidamente cegos por esse mundo encantador.
[00:42:29] E é uma ilusão que eles têm diante dos olhos deles. Na verdade, eles estão encantados por uma coisa que não existe. Eles estão encantados por uma coisa ilusória. E nós não podemos oferecer uma contrapartida disso, porque o que nós temos para oferecer não é uma coisa ilusória.
[00:42:47] Então, a primeira resposta é, a primeira coisa é orar pela vida deles para que eles encontrem a verdade, para que eles encontrem Cristo, para que o Evangelho toque no coração deles. Em segundo lugar, eu creio que todos nós, pais, devemos dar exemplo para eles.
[00:43:00] Sermos exemplos de vida, sermos exemplos de conduta, sermos exemplos de comportamento, para que eles vejam em nós aquilo que eles não veem aí fora. Porque, por mais que eles se encantem com a perdição desse mundo, não há exemplos nesse mundo.
[00:43:14] Esse mundo não tem exemplos para eles. O que eles menos têm aí fora é gente em quem se espelhar. Então, é isso. A última pergunta é a seguinte. Por que muitos pastores se soberbam? Minha conversão tem 12 anos, e eu aprendi muito lendo a Bíblia, a palavra.
[00:43:40] Hoje, o que me atrai pelo púlpito é o pastor que está pregando a palavra. E eu percebo hoje isso claramente, muitos pastores se desviam com facilidade. Esses pastores... A pergunta é, como reverter esse quadro hoje? Por quê?
[00:44:03] Se nós temos pastores como você que está aí, que está pregando a palavra, e eu tenho um pastor que não está pregando a palavra, como mudar isso hoje? Porque ele está lá na igreja, ele está atendendo as necessidades, muitos estão atendendo a necessidade que as pessoas querem, não o dever que eles devem fazer perante a palavra, mas sim para atender os anseios, os desejos pessoais.
[00:44:33] Até onde vai isso? Como reverter esse quadro? Essa é a pergunta. Na verdade, esse pastor precisa conhecer Jesus, irmão. Esse pastor precisa conhecer Jesus. Porque é só Jesus que transforma o orgulho do coração de um pastor.
[00:44:46] O pastor é um crente também, numa pessoa humilde, numa pessoa que segue os caminhos dele, o exemplo dele, em tudo que ele fez, em tudo que ele faz. Então, eu diria isso, o pastor precisa conhecer Jesus. e se tornar um discípulo de Jesus, ser discipulado por alguém, ser um imitador de Jesus, ter exemplos também.
[00:45:09] O pastor também precisa ter exemplos de outros pastores, senão ele está perdido. Perdido no próprio orgulho dele. Wilson, devanir aqui. Uma parte da minha pergunta, você acabou de responder, mas nós aqui, eu particularmente oro pela conversão dos meus amados, minha família toda não é convertida, a minha família por parte da minha mãe.
[00:45:32] E eu tenho me proposto a apresentar o evangelho para ela e para os meus irmãos também. Mas eu, a partir do momento que eles já não conhecem a Cristo, que eles têm as ilusões deles, toda a vida dele pautada em valores que não são os nossos, a partir do momento que eu começo a apresentar o evangelho, fazendo um grupo de estudo na casa da minha mãe, por exemplo, onde que há a passagem de bastão entre a apresentação do evangelho
[00:45:59] e o começo de um discipulado, no caso dela? Na verdade, a apresentação do evangelho, assim, estrito senso, já é o discipulado em si. A evangelização já é o... Porque você já está chamando para o discipulado. A evangelização já é um chamado para o discipulado.
[00:46:20] Mas eu entendi a sua pergunta. Porque tem uma fase, que é a fase da evangelização, que você está pregando ali e tal. Tem uma fase que a pessoa já se converteu e agora começa a aprender a doutrina. Mas, na verdade, é um processo ininterrupto.
[00:46:32] Não existe isso, de uma fase para a outra. A gente pode estabelecer, aos nossos próprios olhos, quando a pessoa já é convertida, já foi batizada, já está em comunhão com a igreja, já toma a ceia como irmão na fé conosco.
[00:46:47] Então, talvez, o convite para que nós continuemos o estudo na casa dela, na casa dele, por meio de outras doutrinas, por meio de outros livros. Mas o processo inicial de evangelização já deve ser considerado por nós um processo de discipulado.
[00:47:01] Porque nós já estamos chamando tais pessoas para se tornarem discípulas de Jesus. pastor, nós estamos vivendo um momento no país e no mundo de uma conturbação política exacerbada. Uma das coisas que eu tenho notado com relação ao discipulado ou à evangelização é de que, principalmente nos jovens cristãos, há um total o geriza por política.
[00:47:53] Eles acham que política e a palavra não caminham juntos. E, no momento de um discipulado, o que nós vemos é muitos questionamentos a respeito da Bíblia em relação àquilo que está acontecendo no país e no mundo. Então, eu gostaria de ouvir sua opinião.
[00:48:22] Porque doutrina e vida caminham juntos. Caminham juntos. Não dá para separar. Exatamente. E política é vida. E a doutrina, em relação à política, eu acho que ela tem um papel importante e preponderante. Então, como é que o pastor entende, principalmente com a juventude, eu vejo que os jovens são praticamente...
[00:48:48] Eu não quero ser... Generalizar, mas, principalmente, no meio do cristão, que eu tenho conversado com alguns jovens, eu tenho notado isso como uma total separação. Eles não querem saber, não entendem que isso não tem nada a ver com a fé.
[00:49:09] Na verdade, tem tudo a ver. Como o senhor mesmo colocou, em 1 Timóteo, o apóstolo Paulo trata sobre a relação do cristão com as políticas públicas, com o império, com aqueles que governavam a eles. O apóstolo Paulo também escreveu aos romanos muito sobre a casa imperial romana.
[00:49:29] No capítulo 13, ele fala sobre a relação do cristão com a política daquele tempo, sobre os magistrados, aqueles que os governavam. Então, a Bíblia fala sobre a relação do cristão com política. Portanto, dentro de um discipulado, convém que se discuta isso também.
[00:49:46] É óbvio que não vai falar se é a favor do Bolsonaro ou do Lula. Não é isso que vai se falar. Mas o que a Bíblia fala sobre política? E qual deve ser a nossa postura enquanto cristãos diante de um partido político que tem certos pensamentos e certas inclinações?
[00:50:02] Um cristão votaria em um candidato de um determinado partido por conta dessas considerações que esse partido apresenta? Então, a Bíblia não nos diz em quem votar, mas ela nos molda o pensamento com relação ao que deve estar na mente do cristão com relação às políticas públicas.
[00:50:21] Então, faz parte de esse discipulado, sim. Hoje, muitos cristãos votam errado porque não sabem o que a Bíblia diz a respeito de política. E a Bíblia fala muito sobre política. Embora Jesus disse o meu reino não é deste mundo, ele veio e ele disse deem a César o que é de César.
[00:50:40] Ele pagou o imposto ele mesmo, ele instruiu os seus apóstolos com relação às questões do tempo em que eles viveram. E o apóstolo Paulo, como eu disse, em Romanos, em 1 Timóteo, pelo menos, instruíram o povo com relação ao relacionamento com as questões políticas do seu tempo.
[00:50:56] Então, ficar aquém das questões políticas é estar alienado daquilo que a Bíblia instrui. Então, é necessário, sim, que haja essa catequização, também, esse processo. Isso pode vir por meio de um estudo bíblico, isso pode vir por meio de um momento de...
[00:51:14] Porque eu não sei se há algum catecismo, enquanto eu respondi aqui, eu estava tentando lembrar de algum catecismo que fala de política em si. Eu acho que não tem nenhum que fale de política, é uma falha. Porque, como o senhor mesmo disse, nós estamos vivendo um momento agora em que essas discussões estão crescendo demais.
[00:51:38] Eu creio que, futuramente, esse tema vai estar mais presente dentro dos catecismos, dentro das confissões de fé. Hoje em dia, nem tanto. Mas a Igreja precisa estar atenta quanto a esse assunto e estar proporcionando esses estudos ao seu povo.
[00:51:54] Mais uma vez aqui. Eu concordo plenamente com o que o pastor colocou. E a minha pergunta é por que nos cultos os valores que estão sendo colocados contrários ao cristianismo, contrários ao que as escrituras pregam. Por que é que há uma total e absoluta ausência em relação a isso?
[00:52:36] Eu queria citar o exemplo do pastor Jorge Linhares. Ele foi chamado à promotoria pública para esclarecer por que ele pregou que menino é menino e menina é menina. E houve uma movimentação de quase 5 mil pessoas, inclusive juristas e tudo mais, que vieram a favor dele, que se propuseram estar caminhando com ele nesse sentido.
[00:53:13] E por que muitas vezes o púlpito deixa isso de lado? Por exemplo, o assunto do aborto. O aborto. E outros aspectos que isso está viralizando na sociedade de hoje. Como é que o pastor vê o púlpito em relação a isso? Eu vejo o púlpito como um lugar onde a palavra de Deus tem que ser pregada, toda ela.
[00:53:39] Eu acho que nós cometemos dois erros. Um, quando nós enfatizamos demais política, pessoas que só pregam política, só tratam das questões políticas, fazendo do púlpito um lugar de política. Outro é quando a gente nunca trata desse assunto, que seria o outro extremo.
[00:53:55] E a gente nunca instrui o povo de Deus com relação a essas questões. Eu creio que nós devemos pregar toda a palavra de Deus. Que um púlpito saudável se faz disso. De nós olharmos para essa grande dispensa que a palavra de Deus coloca diante de nós, e nós a administrarmos como bons mordomos da dispensa do Espírito, não é?
[00:54:15] E darmos ao povo um pouco de cada coisa. Ok? Pessoal, o Samuel vai fazer a última pergunta por causa do nosso horário. Aí o Gui conduz o encerramento. Boa noite, Wilson. Boa noite. Eu queria... Você já tem alguns anos de experiência com o discipulado e pastoreio.
[00:54:37] Eu queria que você desse para a gente alguns conselhos para perseverar no discipulado. Porque uma coisa é o ânimo que a gente tem quando inicia, o processo de discipulado, e depois é essa perseverança nele. Você já deve ter visto muitas coisas, muitas coisas que desanimam os irmãos nessa caminhada.
[00:54:56] e eu queria que você desse um pouco de conselhos para a gente, como perseverar, como prosseguir nisso. Puxa, falar mais do que eu já falei, mas, assim, vale a pena. Acho que o conselho é esse, vale a pena. Quando nós olhamos pessoas que estão demonstrando ter um caráter semelhante ao caráter de Cristo, quando nós vemos que, hoje, jovens, que antes eram crianças, que antes eram adolescentes, que começaram a ser instruídos
[00:55:29] quando eram bem novinhos, por nós ou por outras pessoas que caminham conosco, e hoje estão liderando e discipulando outros, isso traz para nós uma satisfação imensa. E vale a pena cada esforço. Lembrarmos que aquilo que a palavra de Deus diz é verdade, a palavra dele nunca volta vazia.
[00:55:47] E semear é algo que é um privilégio para nós, no coração das pessoas. Portanto, vale a pena nós fazermos isso em oração, com a certeza de que o Senhor não permitirá que a sua palavra volte vazia. A gente vai colher os frutos disso, a gente vai ver os resultados disso, seja nessa vida, seja na vindoura.
[00:56:05] Amém? E aí E aí