Transcricao do sermao
[00:00:00] Depois nós podemos disponibilizar o link a todos, tá bom? Vamos orar então? Senhor nosso Deus, te louvamos, ó Pai, porque o Senhor é grandioso, é bondoso. O Senhor, ó Deus, é soberano sobre tudo, sobre todos. O Senhor é um Deus misericordioso e cheio de graça.
[00:00:18] Te agradecemos, ó Pai, por mais essa manhã, porque podemos nos reunir como igreja, podemos adorar o Seu nome e aprender mais de Ti. Pedimos que o Senhor possa nos ajudar nessa manhã, ao longo desse dia, possamos entender a Sua palavra e aplicá-la.
[00:00:35] Em nome de Cristo, que nós oramos, amém. Gostaria de chamar o pastor, então. Ele tem a palavra aqui, pode fazer o seu trabalho tranquilamente, às 10 horas, geralmente, pode passar um pouquinho também, nós paramos, fazemos uma pausa, um cafezinho, e às 10h30 nós voltamos para o curso.
[00:00:56] Bom? Tá, obrigado. Obrigado. Onde é que eu passo? Meus irmãos, bom dia. É uma alegria muito grande estar aqui com vocês hoje. Eu estive em São Paulo faz muito tempo, estava conversando com o irmão agora há pouco, e passei aqui há uns 15 anos, acho que mais de 15 anos atrás, mas não estive aqui na capital, foi em duas cidades, Mojiguassu e Campinas, e, desses 15 anos para cá, as outras vezes que estive aqui foi só no aeroporto,
[00:01:57] coisa muito rápida. E agora, dessa vez, com a inauguração do Seminário Batista Confessional do Brasil, eu tive o prazer, já vim em São Paulo quatro vezes, de Francisco Morado para cá, esses dias todos, estou na segunda semana aqui com vocês, no Estado.
[00:02:14] E hoje, eu estou aqui em São Bernardo, e daqui a pouco, com a graça de Deus, vamos estar lá em São Paulo com o pastor Walter. Eu também quero deixar aqui um abraço para vocês, da Igreja Batista Bom Samaritano, em Teresina, que é a minha terra, o meu Piauí quente, né?
[00:02:35] Eu estou com muito frio aqui. Esses dias todos aqui eu tenho passado muito frio, e lá é muito quente, né? E os nossos irmãos lá pediram que eu transmitisse esse abraço para vocês aqui em São Paulo. Hoje eu tenho a missão de tratar com vocês sobre a história dos batistas.
[00:02:57] E eu trouxe alguns slides para mostrar para vocês sobre isso. Nós temos um tempo para tratar sobre isso. Mas, antes de iniciarmos, vamos mais uma vez orar. Então, curve a sua cabeça e vamos orar. Senhor nosso Deus Todo-Poderoso, nosso Pai, nós suplicamos, Senhor, que a Tua graça esteja sobre nós, uma vez mais derramada, enchendo nossos corações, nos ensinando que o Senhor conduza esse dia para o Teu próprio louvor e para a Tua própria graça, Senhor.
[00:03:33] Nós te pedimos, pelo Espírito Santo, que o Senhor dirija as palavras e atinja os corações como Tu queres, Senhor. Faça assim, em nome de Cristo Jesus. Amém. Bem, falar sobre a história dos batistas, vocês certamente já sabem que não é uma tarefa simples, porque existem muitas versões sobre a história dos batistas, muitas mesmo.
[00:04:02] Eu escrevi um livro há pouco onde eu falo sobre as teorias dos batistas. e, nesse livro, eu vou apresentar a maioria das teorias, aquelas que são mais aceitas. Eu deixei outras, descartei outras teorias que não são muito críveis.
[00:04:19] As pessoas, geralmente, faltam fundamentos para essas teorias, mas, ainda assim, eu destaquei várias das teorias. Então, não é muito fácil falar da história dos batistas, porque, de repente, você começa a ensinar alguma coisa e aí vai levantar alguém e dizer, não, mas a história dos batistas não é assim, ela tem esse caminho.
[00:04:40] E o outro vai levantar e dizer, não, não, é esse caminho aqui. Então, existem, realmente, várias correntes. Mas eu quero começar falando com vocês, nessa manhã, sobre os antecedentes da história dos batistas, aquilo que vem antes dos batistas.
[00:04:55] Um fundamento importante para entender a história dos batistas é conhecer o contexto anterior, como os batistas se originaram, o que é que levou a cabo o começo dos batistas. Então, eu quero começar falando sobre isso e aí nós vamos falar sobre o século XVI e XVII, um pouquinho sobre a Inglaterra protestante, os puritanos ingleses.
[00:05:22] Vamos falar também sobre o movimento separatista e sobre os batistas. Eu devo passar aqui, não é? Eu estava voltando. Está aqui. Então... Eu acho que está no slide trocado aí na mesa. É o outro. Ele tem na capa antecedentes da história batista.
[00:06:21] O segundo slide. Isso. Pronto. Esse aí. Obrigado. Bem, então, os antecedentes da história batista. Primeiro, pessoal, os tempos que os batistas... Antes dos batistas foram tempos bastante difíceis na Inglaterra. Foram tempos que eu digo que são tempos conturbados, porque houve uma fragmentação religiosa muito grande.
[00:06:55] Os batistas... A religião cristã estava fragmentada em muitos segmentos e todos esses segmentos estavam em conflito. Eu não diria uma guerra em si, mas havia muito conflito entre as várias fragmentações religiosas. Essas mudanças aconteceram por causa do que aconteceu no século XVI com a Inglaterra.
[00:07:17] Surge uma nova igreja. A igreja católica rompe ali com o movimento liderado pelo rei da Inglaterra. E o rei, então, vai fundar uma própria igreja. A igreja da Inglaterra. Essa igreja existe até hoje, lá na Inglaterra. Então, essas coisas começam a acontecer na Inglaterra de modo que a Inglaterra se transforma no verdadeiro caldeirão.
[00:07:42] Então, grandes mudanças começam a acontecer ali. E, no século XVI, na Grã-Bretanha, há esse rompimento da igreja católica romana, surgindo a igreja da Inglaterra. E a autoridade máxima da igreja da Inglaterra era o rei da Inglaterra.
[00:07:59] A igreja católica era o papa, e a igreja da Inglaterra o rei da Inglaterra. Ele era quem escolhia, ou pelo menos quem autorizava os clérigos, quem nomeava os clérigos, numa função muito parecida com aquela que o papa católico romano exercia no catolicismo romano.
[00:08:18] Então, nós temos ali um primeiro rompimento da igreja católica, que vai começar a gerar o que nós vamos conhecer mais tarde como as igrejas protestantes. Então, tudo começa ali. Esse aí, deixa eu passar para vocês aqui, é o rei inglês que levou essas mudanças a cabo.
[00:08:38] Não vou entrar nos detalhes aqui do que levou o rei da Inglaterra a propor essas mudanças todas, mas elas aconteceram por causa de um casamento, um conflito de interesses e de ideias. O papa não aceitava o novo casamento do rei, e ele queria casar novamente.
[00:08:57] E aí, então, como o papa não aceitava, ele fundou a igreja da Inglaterra, independente da igreja católica romana. Maria I foi uma das rainhas da Inglaterra, conhecida como Maria Sanguinária. Essa mulher, ela perseguiu muito a igreja.
[00:09:17] Nesse momento, nós já temos aqui o que nós chamamos de os braços do protestantismo sendo bastante visíveis na Inglaterra e até em outras partes da Inglaterra. Mas essa mulher, ela era católica romana. E, por causa da sua religião, ela, então, começa a perseguir esses vários braços protestantes que estavam surgindo na Inglaterra.
[00:09:43] De modo que ela ganhou esse apelido de Maria Sanguinária, porque ela, de fato, derramou muito sangue na Inglaterra perseguindo as pessoas. Veja, ela ordenou a morte na fogueira de 270 cristãos protestantes. Isso, o que está contabilizado oficialmente por alguns historiadores.
[00:10:06] Esse número provavelmente tenha sido maior do que esse que é apresentado aqui. Além de prisões, além de uma... Os historiadores chamam de uma caça às bruxas, aqueles que discordavam da posição dela, dessa rainha. Depois dela veio Isabel, conhecida como Elizabeth I, filha de Henrique VIII.
[00:10:28] E aqui, uma vez mais, o protestantismo começa a ter força, porque essa rainha se posiciona mais ao lado dos protestantes, da fé dos protestantes, diferente da irmã de Maria. Agora, uma coisa interessante aqui, é que foi no reinado de Elizabeth que houve um clamor para a reforma.
[00:10:55] Deixa eu colocar no slide para vocês. Houve um clamor para que a reforma continuasse. Então, a reforma havia começado, Maria, a sanguinária, assume o trono, os protestantes são perseguidos, depois Elizabeth assume no lugar da irmã, e aí, então, como ela está mais favorável às igrejas cristãs de linha reformada, os cristãos, naquele momento, começam, então, a buscar novamente, a dar continuidade à reforma.
[00:11:29] As doutrinas começam a ser mais fortemente anunciadas, o modelo da igreja reformada começa a se avigorar na Inglaterra. Não é ainda uma igreja reformada, mas eles já estão caminhando para se tornar o que vai ser mais tarde uma igreja reformada.
[00:11:47] Não a igreja da Inglaterra, porque esta não vai mudar. Mas eles vão romper com a igreja da Inglaterra, porque ela não dá os passos necessários para que a igreja se tornasse reformada. Então, a igreja da Inglaterra, nós poderíamos dizer que ela é o seguinte, ela é uma igreja que sai do catolicismo romano, mas ainda traz muita coisa do catolicismo romano consigo, de modo que ela ainda estava, na visão dos puritanos,
[00:12:14] meio católico-romana. Era uma igreja que não estava completamente pura. E os clérigos puritanos, então, começaram a entender que, como não havia mudança na igreja, a perspectiva de reformar a igreja estava cada vez menor, porque ela deu vários passos em direção à reforma, mas depois parou.
[00:12:36] Os passos não continuaram. Então, eles decidem sair da igreja. E essas igrejas que surgem com a saída dos puritanos são chamadas de igrejas separatistas, porque eles decidiram se separar da igreja da Inglaterra. Esse termo é interessante porque algumas pessoas pensam que a igreja separatista são aquelas que saíram da igreja católica, se separaram da igreja católica.
[00:13:02] Mas a expressão separatista se refere àqueles que saíram da igreja da Inglaterra, que não era mais católica romana. Eram igrejas que se separaram. Esses clérigos eram chamados também de não conformistas. Ou seja, eles não se conformavam com a igreja da Inglaterra.
[00:13:23] Não é com a igreja católica. A igreja católica, eles realmente odiavam a igreja católica. Então, a referência sempre é a igreja da Inglaterra, que já era meio reformada. Não era completa, mas já tinha muita coisa boa ali.
[00:13:38] Ainda assim, eles exigiam passos maiores. Então, como a igreja não estava disposta a caminhar mais, eles se separaram da igreja da Inglaterra. Não se conformaram com aquele modelo que estava ali. Existe um outro grupo, um outro grupo que é chamado de os não separatistas.
[00:13:58] Esse grupo, eles não se conformavam com a igreja da Inglaterra, mas decidiram não se separar da igreja da Inglaterra. Eles tinham a esperança de que a igreja pudesse mudar. Então, eles pensaram da seguinte forma. Em lugar de deixarmos a igreja, nos separarmos da igreja, e começarmos uma nova denominação, nós vamos esperar na igreja da Inglaterra, esperar que o Senhor Deus transforme os corações do rei,
[00:14:29] da rainha, das pessoas que estão invertidas de autoridade, para que a igreja mude, para que a reforma continue. Isso nunca aconteceu. Então, eles não deixaram a igreja, permaneceram na igreja, embora discordassem da igreja, nesse sentido de...
[00:14:47] da igreja não dar os passos necessários. Agora vem um rei muito importante, o Tiago, na história inglesa. Ele reinou de 1603 a 1625. E ele seguiu com as exigências de conformação com a igreja da Inglaterra. Ou seja, o rei não abria mão do seu poder e da sua autoridade na igreja, de modo que ele não aceitou dar os passos que os puritanos exigiam, para que a igreja se tornasse mais bíblica, mais reformada.
[00:15:22] Ele permaneceu ali na mesma posição dos seus antecessores. E foi nos dias desse rei que muitos dos puritanos, a grande massa de puritanos, começou a deixar a Inglaterra em grande número. Antes dele, já havia começado essa separação.
[00:15:41] Mas nos dias de Tiago, esse número cresceu muito. E por que isso aconteceu? Tiago era um rei pior do que os outros? Não. É porque é exatamente no reinado de Tiago que a paciência dos puritanos em esperar que a igreja estatal se reformasse acaba.
[00:16:02] Então eles disseram o seguinte, olha, esperamos tempo demais. A igreja não vai ser reformada. Passamos por vários reis. A última, a rainha, agora o rei. E a igreja continua não reformada. Então eles decidem se separar. E aqui é um grande movimento de saída da igreja da Inglaterra.
[00:16:24] E essa saída acaba por proporcionar, nas autoridades da Inglaterra, uma revolta, porque a igreja começa a se esvaziar. Os melhores ministros ingleses eram os ministros puritanos. Eles conheciam a Bíblia, eles pregavam as Escrituras Sagradas, eles tinham de fato autoridade, o rebanho os ouvia, e agora a igreja estava perdendo os seus principais pastores.
[00:16:52] E aí a saída foi proibir e perseguir aqueles que se levantassem contra a igreja. De maneira que aquelas igrejas separatistas começaram a ser caçadas. Os registros dos ministros começaram a ser caçados. Para ser pastor na Inglaterra, eles recebiam uma autorização legal.
[00:17:15] Eles recebiam o salário do Estado. Não era como nós, batistas, que a igreja traz os seus dízimos, e, desse valor, o pastor recebe a sua probenda. Não é assim lá. Lá é o Estado quem faz os pagamentos, é o Estado que decide os salários, é o Estado que direciona um ministro para uma certa igreja ou para outra.
[00:17:38] Tudo é a cargo do Estado. Então, como eles tinham essa autoridade e viram que a igreja estava se esvaziando, eles começaram a perseguir esses ministros, não aceitando que eles deixassem a igreja, e, se deixassem a igreja, perderiam salários, não poderiam ser indicados para nenhuma igreja na Inglaterra e na Grã-Bretanha.
[00:18:00] E, se tivessem empregos públicos, eram perseguidos também. Empregos fora da igreja. Muitos deles trabalhavam como escritores, parentes trabalhavam no Estado, e a perseguição se deu dessa forma. Além de prisões. Quando eles insistiam em pregar o Evangelho, mesmo o Estado dizendo que eles não podiam pregar mais o Evangelho, e eles insistiam nisso, eles eram presos.
[00:18:29] Chegou ao ponto de muitos pastores serem mortos nesse período de perseguição do rei Tiago. Nesse período é que surgem os movimentos batistas, os movimentos que dão origem aos batistas. O primeiro deles é com John Smith e Thomas Howies.
[00:18:47] Esses dois homens deixam a Inglaterra. Eles seguiram para a Holanda. E há uma explicação também por que eles escolheram a Holanda. Porque, na Holanda, havia uma lei de liberdade, de modo que lá eles não poderiam ser perseguidos.
[00:19:05] A lei, na Holanda, permitia que eles tivessem liberdade religiosa, de modo que qualquer igreja poderia estar ali na Holanda. Então, era o único lugar onde eles poderiam correr, se esconder. Não havia até aqui a América do Norte, não estava ainda colonizada, estavam começando os processos.
[00:19:26] Então, eles tinham a Holanda para recorrer. E muitos foram para a Holanda. E, nesse momento, em 1608, 1609, surgem os batistas gerais. Os batistas gerais são os batistas que não são calvinistas. Eles não são... Não creem nas doutrinas da predestinação, da eleição incondicional.
[00:19:51] Eles não creem nos cinco pontos do calvinismo, a tulipe, como nós conhecemos. Eles são os batistas arminianos. Inclusive, nessa mesma época, 1609, 1610, Jacó Arminio, que é o pai do arminianismo, ele já estava com essa ideia, sendo de modo incipiente, no seu interior, reflexiva.
[00:20:19] Ele havia sido incumbido de fazer uma defesa do calvinismo, das doutrinas calvinistas. E ele começou a estudar o assunto e entendeu que o calvinismo estava errado. E ele era um clérigo calvinista até então. Ele começou a pensar.
[00:20:34] Então, essas ideias começavam a circular à Inglaterra, à Holanda e várias partes da Europa. E os batistas gerais foram influenciados pelas ideias arminianas. Esses batistas gerais, que surgiram em 1608, esse fato é pouco registrado nos livros de história batista.
[00:20:56] Os batistas gerais surgem como batistas calvinistas, o que pouca gente sabe. O líder desse grupo era John Smith. John Smith era um teólogo e um pastor da Igreja da Inglaterra. Então, ele estudou, fez uma preparação séria, como todo pastor inglês fazia.
[00:21:17] Estudou nas melhores faculdades de teologia da Inglaterra e foi ordenado ao Ministério Pastoral. Mas eles todos eram calvinistas. Todos os batistas gerais começaram como batistas calvinistas. John Smith, o pastor desse grupo, Eu me referi a um grupo porque, além de John Smith e Thomas Helwes, um grupo de aproximadamente 40 pessoas os acompanhou da Inglaterra para a Holanda.
[00:21:46] O Thomas Helwes era o advogado que proporcionou os custos dessas viagens. Então, ele bancou a saída deles da Inglaterra para a Holanda. Mas o teólogo e o pastor do grupo era John Smith. Ele tinha um treinamento teológico.
[00:22:02] Ele escreveu um livro nessa época em que a Igreja foi fundada, depois da Igreja ser fundada. E, neste livro, ele se posiciona doutrinariamente e o calvinismo de John Smith é muito bem registrado ali. Então, por que essa Igreja Batista Geral, arminiana, começou como uma Igreja calvinista?
[00:22:24] Porque a fé do seu pastor está registrada num livro que foi escrito depois que a Igreja já estava vigorando. No mesmo período ali. Agora, por que eles são batistas gerais? Porque, nessa mesma época, o John Smith muda de posição por influência dos anabatistas da Holanda.
[00:22:46] Na Holanda, os anabatistas eram um grupo muito forte. Então, ele muda de posição na sua teologia, na sua doutrina da salvação e em muitas outras doutrinas. Esse grupo de batistas gerais, alguns historiadores, inclusive, não os consideram como verdadeiros batistas, porque eles defenderam várias heresias, várias doutrinas heréticas, que os batistas, ao longo da história, nunca defenderam.
[00:23:17] Então, por exemplo, eles rejeitaram a queda do homem, eles rejeitaram a transmissão do pecado de Adão para toda a humanidade, não acreditaram nisso, nessa imputação do pecado. Eles defenderam que Jesus Cristo não tinha um corpo humano real, mas que a carne de Jesus tinha vindo do céu.
[00:23:40] Então, é uma doutrina chamada carne celestial de Cristo. E muitas outras doutrinas. Eles negaram a trindade, a doutrina da trindade. Os batistas gerais não eram trinitários. Eles passaram a ser trinitários mais tarde, mas, nesse período inicial de nascimento, de formação, muitos erros estavam aqui espalhados entre eles.
[00:24:03] Havia muita coisa equivocada. Então, nesse mesmo período, foi fundada a igreja semisseparatista, que ficou conhecida como JLJ. Essa é uma outra igreja. Ela foi fundada 30 anos depois dessa Igreja Batista Geral. É uma outra igreja.
[00:24:24] Não é uma igreja... Perdão, ela foi fundada 8 anos depois dessa Igreja Batista Geral, a Igreja JLJ, em 1616. Essa igreja foi fundada por um homem chamado John... John... Deixa eu ver se eu anotei o nome dele aqui para não errar para vocês.
[00:24:48] O nome dele é Jacob. Acho que eu não anotei aqui, mas é Jacob. Henri Jacob. Henri Jacob. E ele fundou essa igreja separatista. Ele era um dos separatistas. Ele não foi para a Holanda. Ele ficou na Inglaterra. E essa igreja ficou conhecida como a Igreja de Jacob, devido ao nome dele, e ele ser o primeiro pastor.
[00:25:12] E essa igreja influenciou muito as igrejas separatistas, especialmente as igrejas congregacionais. Foi através da teologia do Henri Jacob que as igrejas congregacionais entenderam que o modelo de igreja era o modelo congregacional, como nós hoje entendemos o modelo batista.
[00:25:36] Então, o responsável, e aquele que mais defendeu essa teologia, foi o Henri Jacob. Ele é conhecido como o pai das igrejas independentes, ou das igrejas congregacionais. Quem fala muito essa história é o pastor Martin Lloyd-Jones.
[00:25:55] Ele tem um livro chamado Os Puritanos, e um capítulo desse livro ele vai explicar em detalhes essa postura do Henri Jacob sobre o congregacionalismo, não dos batistas ainda. Nessa época, com essa igreja, essa igreja tem três pastores ao longo da sua existência.
[00:26:15] ela tem esse nome JLJ exatamente por causa dos três pastores. Eles se sucederam um ao outro. O primeiro é o Henri Jacob. Depois que o Henri Jacob deixa o pastorado, entra um outro pastor chamado John Letroff. Ele é o segundo pastor dessa igreja.
[00:26:33] E, finalmente, depois do Letroff, o L que vocês estão vendo aí é de Letroff. O primeiro J é de Jacob. E o segundo J é de Jesse, que é o terceiro pastor. Henri Jesse. Nesse período do Henri Jesse é que surge a primeira igreja batista.
[00:26:51] Os membros dessa igreja saem dessa igreja JLJ. Nesse período em que essa igreja surge, 1616, essa igreja começa com as ideias separatistas. Quando o primeiro pastor, o Henri Jacob, deixa o pastorado, e o Letroff entra, os membros dessa igreja começam a discutir várias questões.
[00:27:18] Então, lembrem sempre disso. Naquele período, na Inglaterra, eu comecei dizendo isso a vocês, havia uma fragmentação teológica, um caldeirão de ideias, efervescentes ali, e fervendo, e estava surgindo muita discussão, muito debate.
[00:27:36] Essa igreja era uma igreja pedobatista, que batizava bebês, como toda igreja pedobatista faz. Mas aí, o que acontece de diferente nessa igreja? Eles começam a aceitar realizar debates na igreja. Vamos discutir esse tema do pedobatismo.
[00:27:53] algo que era intocável até então, começa a ser motivo de discussão, de debate na igreja. Eram debates amistosos, debates, discussões teológicas saudáveis. Havia um grupo nessa igreja que começou a entender que o credobatismo, o nosso batismo só de adultos, era, de fato, aquilo que a Escritura defendia.
[00:28:18] Então, eles começaram a defender o credobatismo. E o outro lado da igreja ainda permanecia defendendo o pedobatismo. Só que, com o passar do tempo desses três pastores, começando a partir do segundo pastor, o John Letroff, e no Henry Jesse, esse debate vai ganhando grandes proporções.
[00:28:40] As pessoas poucas que eram credobatistas começam a crescer na igreja. De modo que a igreja se divide, de fato, nas ideias quanto ao batismo. Estes irmãos, que eram credobatistas, e é por isso que eu chamo esses irmãos de pré-batistas.
[00:29:01] Então, eles não são batistas ainda, mas eles já estão começando a ter uma formulação do que é ser um batista. E, com isso em mente, eles decidem deixar a igreja. Amigavelmente. Eles reconheciam aquele grupo como irmãos em Cristo, reconheciam todos eles como verdadeiros e fiéis crentes no Senhor.
[00:29:25] Apesar de serem pedobatistas, eles reconheciam que eles eram crentes. E reconheciam a igreja como uma verdadeira igreja cristã. Por isso, esses irmãos foram chamados não de separatistas em si, mas de semi-separatistas. Essa igreja do Henri Jacob, ela é...
[00:29:46] Se vocês tiverem familiaridade com essa história em livros, vocês vão ver que alguns historiadores vão chamar essa igreja de uma igreja separatista. Outros vão ser muito específicos em afirmar que esta era uma igreja semi-separatista.
[00:30:02] E outros historiadores vão chamar a igreja de separatista, mas tendo em mente a ideia semi-separatista. Eles apenas consideram como ela separou-se uma igreja separatista, mas entendem que ela era semi-separatista. O mais correto aqui é entender como uma igreja semi-separatista, porque, apesar de se separarem, eles concordavam que aquela era uma igreja cristã.
[00:30:27] E aqueles que haviam se separado da igreja, os puritanos, esses também eram puritanos. Mas aqueles outros que haviam se separado da igreja olhavam para a igreja da Inglaterra e diziam que essa é uma igreja desviada, herética.
[00:30:40] E muitos nem a consideravam como uma igreja cristã mais. Então, os semi-separatistas consideravam a igreja da Inglaterra uma igreja cristã. Menos pura, eles diziam, mas ainda assim uma igreja de Cristo. Este grupo, então, deixa a igreja...
[00:30:58] Deixa eu ver se estou na frente de vocês aqui. Nós estamos lá nessa primeira bolinha vermelha, pessoal. 1.638. Então, nessa data, 1.638, nasce a primeira igreja batista calvinista. Na verdade, se a gente usasse a expressão calvinista, nós podemos incorrer em erro.
[00:31:21] Porque essa igreja não era apenas uma igreja calvinista. Ela era uma igreja reformada, literalmente. porque eles defendiam todos os pontos da reforma protestante, com exceção da eclesiologia. Envolve o governo da igreja, envolve os sacramentos, batismo, ser do senhor, etc.
[00:31:45] Mas, todo o restante do conjunto de doutrinas foi defendido pelos batistas nesta época, em 1.638. Apenas seis anos depois, esse grupo lança, publica uma confissão de fé, a confissão de fé londrina de 1644. É o primeiro documento de igrejas batistas particulares.
[00:32:12] E de igrejas batistas de um modo geral. Até então, os batistas gerais não haviam se unido como uma associação de igrejas e declarado a sua fé. Assim, todas as igrejas creem assim. Não havia um documento. os batistas particulares foram eles que publicaram a primeira confissão de fé da história dos batistas de um modo geral.
[00:32:38] Essa confissão de fé apresenta as doutrinas reformadas de maneira clara. Apesar de ser uma confissão breve, mas você vai observar, lendo os textos, que ela passa por todos os temas da igreja batista reformada. Com, claro, as suas características batistas sendo apresentadas.
[00:32:59] Essa confissão foi proibida pelo parlamento inglês. Eles exigiram que os batistas fizessem uma atualização. Dois anos depois, a confissão foi refeita com muitos artigos mudados. Eles eram presos. Então, eles tiveram que, com muito cuidado, apresentar a sua fé sem negar aquilo que tinham dito antes, mas apresentando a sua fé com outras palavras, de uma outra forma que fosse aceita pelo parlamento.
[00:33:29] Senão, eles não podiam sobreviver, não tinham autorização. Então, nesse período, estamos falando do rei Carlos, Carlos I. Ele está de 1625 a 1649. É nesse contexto, no reinado de Carlos, que nasce a primeira igreja batista calvinista ou reformada.
[00:33:49] A primeira igreja do mundo. Bom, aí está uma ilustração de um ministro puritano, para vocês terem uma ideia. Às vezes, nós, no nosso contexto moderno, a gente pensa em ser cristão da nossa forma, do nosso tempo, mas aqueles homens eram bem diferentes da gente.
[00:34:20] Eles viviam num mundo reformado. A gente vive num mundo misturado. Católicos romanos, ateus, agnósticos. É um outro caldeirão, na verdade, que nós estamos vivendo hoje. Mas aqueles ministros tinham algo diferente daquilo que se vê na igreja hoje.
[00:34:41] Eles eram corajosos. Eles não temiam a autoridade, a prisão. A maioria dos ministros puritanos foi preso porque decidiu não negar a sua fé em Cristo. Eles eram chamados, convocados, eram orientados a não pregar, a silenciar, mas eles não faziam isso.
[00:35:05] Eles decidiam se reunir escondidos e pregavam o evangelho escondido. O Joel Bick, um autor presbiteriano, reformado presbiteriano, ele disse que quando o pastor batista John Bunyan estava preso, ele passou muito tempo preso, quase duas décadas preso, por causa da sua fé.
[00:35:31] E quando ele estava preso, ele passou tanto tempo na cadeia que ele começou a criar um vínculo de amizade com os carcereiros. E os carcereiros então resolveram deixar que o John Bunyan saísse às noites de domingo e às vezes durante a semana uma ou outra noite para pregar o evangelho em aldeias inglesas e nas florestas.
[00:35:56] Ele era liberado por volta da meia-noite. E o Joel Bick diz, muitas igrejas batistas inglesas nasceram à meia-noite com a pregação de John Bunyan, esse ministro. Ele pregava, terminava, pegava a sua Bíblia e voltava para a prisão.
[00:36:14] Ninguém sabia disso. Ele estava lá preso. Os carcereiros não anunciavam que ele ia sair. Ele era liberado para pregar. Então, havia muitos ministros piedosos, anglicanos, presbiterianos e batistas já nesse período. E eles todos estavam insatisfeitos com o que acontecia na igreja.
[00:36:35] Mesmo separados da igreja católica, o anglicanismo estava bastante arraigado na liturgia romana. Eu não sei aqui quantos já tiveram a experiência de ir em uma igreja anglicana. Aqui em São Paulo deve ter algumas delas. E a igreja anglicana, como tem que ser, ela se parece uma missa, o culto.
[00:36:57] A liturgia, você pensa que está dentro de uma igreja católica romana. Porque, desde o ministro, às vezes, alguns ainda usam uma estola sacerdotal que caracteriza mais ainda. E esse foi um dos motivos que os puritanos também não aceitavam ficar ali.
[00:37:14] Eles não queriam usar a sobrepeliz, que era uma roupa preta, como a batina de um padre. Eles não aceitavam isso. Eles diziam, isso é catolicismo. Por que o pastor tem que usar uma roupa dessa, uma farda como essa? Quem usa essas roupas são os papas, os cardeais, os padres católicos.
[00:37:33] Mas a igreja insistia que era obrigatório os seus ministros usarem essas roupas. Então, aqui vocês, que já viram uma igreja anglicana, certamente, é bem provável que vocês tenham lembrado de uma missa. Assim, algumas coisas parecidas.
[00:37:51] Muita gente diz que é uma igreja católica sem imagens de escultura. É uma comparação que não é muito fiel. Eles não mudaram só por não terem imagens. Eles avançaram mais do que isso, mas não avançaram completamente, de fato.
[00:38:07] Os puritanos esperavam uma reforma mais ampla, e essa reforma nunca aconteceu. Então, eu falei para vocês do século XVII como sendo um caldeirão fervilhante de ideias. Agora, veja, para entender essa questão dos batistas, então, se você pensa o seguinte, eu quero compreender a história dos batistas, eu quero esquecer os outros grupos, mas eu quero focar na história dos batistas.
[00:38:39] Você precisa colocar toda sua atenção no estudo da Inglaterra, no contexto histórico, no contexto religioso da Inglaterra desse período aqui, porque ali é o nascedor, o coração, as influências estão todas ali. Tudo começa na Inglaterra.
[00:38:58] É lá que estão as raízes dos batistas, em Londres. Os nossos pais são londrinos, não são americanos. Os americanos já são filhos dos londrinos. Na verdade, seria mais propício dizer, os londrinos são os avós, os americanos são os pais, de fato, mas a origem está lá em Londres.
[00:39:19] A raiz onde tudo começa está em Londres, na Inglaterra. Lá que está a semente batista, ela começa a germinar ali. E foque também, além de focar na Inglaterra, foque no século XVI. Esse é o século da Reforma Protestante.
[00:39:39] Os batistas nasceram depois da Reforma, no século XVII. Mas a gente tem que voltar, temos que focar no século XVI. Os batistas, com o seu leque de doutrinas, está enraizado nas doutrinas do século XVI, nas doutrinas da Reforma do século XVI.
[00:39:58] Por isso que a doutrina não nasce no século XVII, ela nasce no século XVI. O século XVII é o nascedor do grupo, com aquela forma de pensar. Mas a doutrina, eles tomam dos reformadores. Então, a base genealógica e hereditária dos batistas está lá atrás, um século antes, no século XVI.
[00:40:22] A base geográfica dos batistas também tem o seu princípio ali, naquele momento, no século XVI. E a base linguística e cultural dos batistas também está lá atrás, no século XVI. Então, quando a gente fala, por exemplo, de base linguística, temos que entender que eles eram ingleses.
[00:40:43] Então, a língua dos batistas é a língua inglesa. As confissões de fé estão escritas em inglês. Toda a cultura por trás do que eles escreveram era a cultura inglesa daquele momento. Então, o estudante precisa retornar aquele contexto cultural, aquele contexto geográfico, para poder entender essa posição dos batistas melhor.
[00:41:09] E foque nos puritanos ingleses, porque os batistas eram puritanos. As nossas confissões de fé de 1644 e a confissão de 1689, que é a segunda confissão londrina, são confissões de fé puritanas. ou seja, elas foram escritas por ministros puritanos, batistas puritanos.
[00:41:36] Então, por que é uma confissão puritana? Por exemplo, os puritanos foram proibidos pela Igreja da Inglaterra de observar o dia do Senhor, o domingo. O rei, ele liberou o domingo para que se praticassem esportes, danças, jogos, caçada, eles caçavam muito naquele período, e tudo isso era liberado.
[00:42:05] E os puritanos se levantaram, todos os puritanos se levantaram e disseram, não, isso é quebra do quarto mandamento. Nenhum cristão deve quebrar o mandamento de santificar o dia do Senhor. E se fizermos o que o rei está mandando, nós vamos estar quebrando o mandamento de Deus.
[00:42:25] e aí, então, eles não aceitaram isso. Esse foi o pico do que levou os puritanos a deixar a igreja. Foi a quebra do quarto mandamento. Então, quando você toma as confissões de fé dos batistas, você vai encontrar isso lá, essa visão puritana do dia do Senhor.
[00:42:46] Isso é interessante, pessoal, porque se vocês observarem a declaração doutrinária da Convenção Batista Brasileira, essa declaração doutrinária, quanto ao dia do Senhor, ao domingo, ela é extremamente puritana. Está lá nos documentos.
[00:43:05] O artigo é, inclusive, longo, que fala sobre isso. Pouco observado, mas a letra é puritana. O que está lá são aquilo que os puritanos defenderam e o que os nossos pais batistas ingleses defenderam. Então, você precisa, para entender os batistas, focar no puritanismo, movimento puritano.
[00:43:27] Foque nas igrejas separatistas, para que vocês entendam o motivo da ruptura. As ideias separatistas, elas estão presentes no pensamento dos primeiros batistas. Não há como escaparmos dessa conclusão. As primeiras congregações separatistas foram o braço dos primeiros batistas no mundo, de ambos os lados.
[00:43:48] Batistas gerais, eles também eram separatistas, e os batistas particulares, calvinistas, reformados, que também eram separatistas ou semisseparatistas. Só uma aspas aqui. Os batistas gerais eram totalmente separatistas.
[00:44:07] Eles diziam que a igreja da Inglaterra era uma igreja falsa. Não tinha cristãos ali. Eles diziam o seguinte, somente esta igreja é uma igreja verdadeira. Todas as outras são falsas. eram completamente exclusivistas. De tal forma que as mulheres só poderiam casar com membros da igreja local.
[00:44:31] E os homens também. Então, se você fosse um batista geral naquele período, uma mulher batista geral, você não poderia casar, por exemplo, com outro cristão de outra igreja. Mesmo que fosse uma outra igreja batista geral.
[00:44:46] Era preciso casar com membros da igreja local, da denominação. Casar com um presbiteriano, com um congregacional, nem pensar. Você era excluído de imediato. Os homens também. Então, havia um exclusivismo radical neles. Eles escreveram isso nos seus livros.
[00:45:09] John Smith e, principalmente, o Thomas Howes escreveu isso. Está lá nos registros deles. Os batistas particulares eram mais... Não eram tão radicais assim. Eles reconheciam outros irmãos e permitiam casamento com cristãos.
[00:45:29] Era isso que eles pediam. Aí, então, vem os... Eu tenho quantos minutos ainda, pastor? Tá bom. Aí, então, vem os anabatistas. essa é uma parte importante da história dos batistas, porque uma das teorias fortes é que os batistas tiveram origem com os anabatistas.
[00:45:53] Existem várias teorias diferentes que vão ligar os batistas com os anabatistas. Então, não é só uma teoria. Existem várias delas. Mas, todas essas teorias estão especialmente ligadas ligadas com as igrejas batistas gerais.
[00:46:18] Com as igrejas batistas particulares, não há vínculo com os anabatistas na história. Algumas pessoas procuram vincular de alguma forma, mas isso é completamente impossível, porque, na primeira confissão de fé dos batistas de 1644, eles disseram claramente, nós não somos anabatistas, nós somos falsamente chamados de anabatistas.
[00:46:47] Então, eles estavam ali se desvinculando, dizendo, olha, eles eram de fato chamados de anabatistas porque batizavam crentes, como os anabatistas, só batizavam crentes. Então, por isso, as pessoas olhavam e diziam, são anabatistas, por quê?
[00:47:01] Porque não aceitam o batismo de bebês, mas eles não eram anabatistas por isso, e eles disseram isso na confissão de fé. Agora, os batistas gerais realmente estão vinculados aos anabatistas, e isso também é muito documentado.
[00:47:17] De modo que o termo anabatista é um termo muito amplo, muito genérico. Quando se estuda os anabatistas, vocês vão perceber que todo o período medieval, período que começa ali no século IV, no século V, até a Reforma, por exemplo, todo esse período, os historiadores vão citar igrejas anabatistas.
[00:47:44] A igreja anabatista tal, os pequenos grupos que não eram católicos romanos, todos são chamados de anabatistas. Esses grupos eram completamente diferentes uns dos outros. mas todos receberam a alcunha de anabatistas pelo fato de que esses grupos batizavam crentes.
[00:48:07] Isso é a única coisa que os ligava. As outras doutrinas eram completamente distintas, mas pelo fato de batizarem crentes, foram chamados de anabatistas. Esse termo surge oficialmente no século XVI e, provavelmente, o maior responsável pelo termo anabatista seja Zuínglio, o reformador Zuínglio.
[00:48:29] Uma igreja anabatista surgiu da igreja que ele pastoreava. Essa igreja de Zuínglio é a mais parecida com os batistas de toda a história. Então, a partir de Zuínglio, toda a igreja que batizava crentes, eles começaram a chamar de anabatistas, começaram a denominar de anabatistas.
[00:48:49] Elas eram conhecidas na história por outros nomes, mas eles generalizaram e disseram que são grupos anabatistas e, muitas vezes, não eram anabatistas. Bem, deixa eu correr aqui. Os anabatistas antes da reforma. O espírito anabatista estava presente antes da reforma protestante.
[00:49:14] Vocês já ouviram as pessoas, algumas pessoas, alegando que os batistas não são protestantes. Os batistas não são protestantes. Essas pessoas que dizem isso, elas estão considerando essa posição que os batistas eram anabatistas.
[00:49:36] Eles vieram dos anabatistas, então eles são antes da reforma. Porque os anabatistas, nesse sentido genérico, são antes da reforma. Então, se os batistas não são protestantes, eles existiam antes da reforma. Esse é um bom argumento para eles de que os batistas têm uma longa data, uma antiguidade.
[00:49:55] E as pessoas, às vezes, brigam muito pela antiguidade. Quanto mais antigo, melhor. Está mais perto de Cristo. De modo que existe uma teoria chamada sucessionismo que liga as nossas igrejas batistas a João Batista. Então, esse foi o primeiro batista.
[00:50:12] João Batista. E aí, uma linha ininterrupta de igrejas surge a partir de João Batista. E esses historiadores, que não têm documentos, eles vão dizer, olha, aqui está a origem da nossa igreja. João Batista. Ele é o primeiro batista.
[00:50:26] Ele batizou por imersão. Os anabatistas nem batizavam por imersão. Não era por aspersão. Eles não batizavam por imersão. Então, veja, o não-protestantismo, isso que eu acabo de falar para vocês, tem também essa variedade doutrinária.
[00:50:46] Você vai analisar a doutrina desses vários grupos e vocês vão ver que elas são distintas, com exceção do batismo de crentes. E a etimologia da palavra. Etimologicamente, anabatista é um termo composto. Então, na língua grega, essa palavra é formada por duas partículas.
[00:51:07] Aná, que significa de novo, é uma palavra que traz a ideia de uma repetição e baptizo, que é a palavra mergulhar ou batizar. De modo que os anabatistas, vejam só, isso é muito importante, os anabatistas batizavam de novo.
[00:51:26] Os batistas não batizam de novo. Os batistas não consideram o batismo infantil como um batismo. Então, chegamos aqui numa conclusão interessante. Se um presbiteriano, que nós reconhecemos como crentes, chegarem e propuserem entrar numa igreja batista, eles precisam ser batizados.
[00:51:49] Porque, para nós, eles não são batizados. São crentes, regenerados, mas não são batizados. Os anabatistas entendiam que eles eram batizados, mas eram batizados de modo errado. E tinham que ser batizados de novo. Daí a diferença entre anabatista e batista.
[00:52:08] Os batistas batizavam a primeira vez. Há um só batismo, está escrito na Confissão de Fé de 1644. Um só batismo, um só Senhor, um só Espírito, um só Cristo, uma só fé. Está escrito lá. De modo que, para eles, é um só batismo.
[00:52:27] Aqueles que são batizados na infância, que são batizados de maneira equivocada, não são batizados. batizados. Então, essa etimologia é importante. Pessoal, terminamos aqui em cima, né, pastor? Obrigado pela ótima oportunidade que vocês me deram.
[00:53:03] Pessoal, que se for Obrigado.