# Nosso sofrimento é real! - Renato Oliveira

**Data:** 2022-03-28  
**Pregador:** Renato Oliveira  
**Tipo:** Culto  
**Duração:** 6 min  
**YouTube:** https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw  
**Página:** https://acervo.moretes.com/cultos/gXIVdT94TGw

> "Nosso sofrimento é real e a insensibilidade a ele é condenada por Cristo."

**Temas:** Amor ao próximo e serviço, Doutrina da Igreja, Juízo, céu e eternidade, Pessoa e obra de Cristo, Sofrimento e provação

**Livros bíblicos citados:** João, Mateus

---

## Guia de Estudo

### 1. Texto-base e contexto

**Jó 4:3-6 e Mateus 25:41-46**

Jó 4:3-6 é parte do primeiro discurso de Elifaz, um dos amigos de Jó, que tenta 'confortá-lo' acusando-o de pecado. Ele argumenta que Jó deve ter merecido seu sofrimento, ignorando a profundidade da sua dor. Mateus 25:41-46 é parte do discurso escatológico de Jesus sobre o Juízo Final, onde Ele descreve a separação das nações com base em como trataram 'os pequeninos', identificando-se com eles.

### 2. Ideia central

A verdadeira fé não nega a realidade do sofrimento humano, e a insensibilidade à dor alheia é uma grave falha condenada por Jesus Cristo, exigindo compaixão e serviço ativo na comunidade cristã.

### 3. Exposição

O livro de Jó nos confronta com a difícil realidade do sofrimento, e a reação dos amigos de Jó muitas vezes reflete a nossa própria. Elifaz, em Jó 4:3-6, tenta 'aconselhar' Jó com uma lógica que, embora pareça piedosa, na verdade minimiza a dor de Jó e o acusa de alguma falha oculta. Sua insensibilidade é evidente ao sugerir que a fé de Jó seria apenas para tempos bons, esquecendo-se da verdadeira profundidade do sofrimento. No entanto, Jó rebate essa superficialidade em 6:12, afirmando a autenticidade e a intensidade de sua dor: 'Acaso a minha força é a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?' Ele não está inventando; sua carne e alma sentem o peso da provação. Essa é uma lembrança crucial de que não podemos julgar a dor alheia ou inferiorizar o sofrimento de ninguém sem ter percorrido o mesmo caminho.

Essa insensibilidade não é apenas falta de tato, mas uma falha grave do ponto de vista divino. Jesus Cristo, em Mateus 25:41-46, condena severamente aqueles que são alheios ao sofrimento dos 'mais pequeninos', identificando-se com eles. Ele declara que o que é feito (ou deixado de fazer) a um desses, é feito (ou deixado de fazer) a Ele mesmo. A passagem culmina com a separação entre aqueles que herdarão a vida eterna e aqueles que irão para o castigo eterno, com base na compaixão ativa demonstrada ou negada. O texto é um alerta claro de que a verdadeira fé se manifesta em ações de amor e cuidado, especialmente para com os necessitados e sofredores na comunidade da fé e além.

Portanto, somos desafiados a refletir sobre nossa própria postura. Estamos verdadeiramente interessados nas necessidades uns dos outros, ou nos contentamos em permanecer em nossos círculos habituais? O sermão nos impele a cultivar a empatia, a buscar a intimidade com irmãos e irmãs para que haja espaço para a confissão, o apoio e o crescimento mútuo. A igreja, como corpo de Cristo, deve ser um lugar onde o sofrimento é validado, e a compaixão ativa é a norma, glorificando a Deus através do cuidado uns pelos outros.

### 4. Esboço da mensagem

1. **A Insinuação Insensível de Elifaz**
   Elifaz questiona a fé de Jó em meio ao sofrimento, minimizando sua dor e acusando-o veladamente (Jó 4:3-6).
2. **A Realidade Indiscutível do Sofrimento de Jó**
   Jó responde à insensibilidade, afirmando a autenticidade de sua dor física e emocional ('Minha carne não é de bronze'; Jó 6:12).
3. **A Condenação de Cristo à Insensibilidade**
   Jesus Cristo, no Juízo Final, condena aqueles que foram indiferentes ao sofrimento dos 'pequeninos', identificando-se com eles (Mateus 25:41-46).
4. **O Chamado à Empatia e ao Cuidado na Igreja**
   Exortação para que a igreja seja um lugar de validação do sofrimento, de compaixão ativa e de relacionamentos profundos que promovam o cuidado mútuo e a confissão.

### 5. Doutrinas (Confissão de 1689)

- Pecado e a Queda (Insensibilidade) — *Cap. 6 - Da Queda, do Pecado e do Castigo*
- Pessoa e obra de Cristo (Cristo como Juiz) — *Cap. 8 - De Cristo, o Mediador*
- Doutrina da Igreja (Cuidado Mútuo) — *Cap. 26 - Da Igreja*
- Santificação (Crescimento na Compaixão) — *Cap. 13 - Da Santificação*
- Juízo Final — *Cap. 32 - Do Juízo Final*

### Aplicações

**Pessoal**
- Reconheça a validade do seu próprio sofrimento e busque consolo em Deus e na comunidade, sem fingir uma força que não possui.
- Desenvolva intencionalmente a empatia e evite julgar a dor alheia, lembrando-se de que cada pessoa carrega suas próprias 'fraturas'.
- Examine sua vida e peça a Deus para identificar e remover áreas de insensibilidade para com o próximo.

**Na família**
- Crie um ambiente familiar onde o sofrimento, as lutas e as fraquezas são validados, permitindo que todos expressem suas dores sem medo de julgamento.
- Ensine e modele a compaixão para com os outros, começando pelos membros da própria família e estendendo-se para fora.
- Pratique o ouvir atento e o cuidado prático quando um membro da família estiver passando por provação.

**Na igreja**
- Fomente uma cultura de cuidado mútuo, buscando ativamente conhecer as necessidades dos irmãos, para além dos círculos habituais de amizade.
- Promova um ambiente seguro para a confissão de pecados e o compartilhamento de dores, onde haja apoio e não julgamento.
- Engaje-se em atos práticos de serviço e compaixão, lembrando que o que fazemos pelos 'pequeninos' fazemos por Cristo.

### 6. Perguntas para estudo

1. Como a atitude de Elifaz em Jó 4:3-6 reflete nossa própria tendência de minimizar o sofrimento alheio ou esperar uma fé 'perfeita' em momentos de dor?
2. O que a resposta de Jó em 6:12 nos ensina sobre a autenticidade da dor e nossa necessidade de expressá-la honestamente, sem máscaras?
3. De que forma o trecho de Mateus 25:41-46 relaciona a insensibilidade ao sofrimento com nossa posição diante de Cristo no Juízo Final?
4. Na sua vida pessoal, quais 'fraturas' ou sofrimentos você tem escondido, e como a igreja ou sua família poderia ser um lugar mais seguro para revelá-las?
5. Como podemos, como indivíduos e como igreja, ir além dos 'círculos habituais de amigos' para demonstrar compaixão ativa pelos irmãos que sofrem?
6. De que maneira a frase de Spurgeon sobre 'ossos quebrados' nos desafia a uma maior empatia e a evitar julgamentos precipitados?

### Versículo para memorizar

> "Então lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um desses mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer."
> — **Mateus 25:45**

### Textos paralelos

Jó 16:1-5  ·  Romanos 12:15  ·  Gálatas 6:2  ·  Hebreus 4:15  ·  1 João 3:17-18

**Próximo passo:** Estudar mais a fundo a soberania de Deus no sofrimento, o papel diaconal da Igreja no cuidado com os necessitados e a prática da empatia e do serviço mútuo em sua comunidade e além.

---

## Referências bíblicas no áudio

- João 6:12 — [1:17](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=77s)
- Mateus 25:41 — [3:32](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=212s)
- Mateus 25:41 — [3:49](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=229s)

---

## Transcrição (17 trechos)

**[0:00](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=0s)** Vamos abrir também lá em Jó, capítulo 4. Jó, capítulo 4, versículos de 3 a 6. E lá fala assim. Eis que tem ensinado a muitos e tem fortalecido as mãos fracas. As tuas palavras tem sustentado aos que tropeçavam e os joelhos vacilantes tem fortificado.

**[0:30](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=30s)** Mas agora, em chegada a tua vez, tu te enfadas? Sendo tu atingido, te perturbas? Porventura, não é o teu temor de Deus aquilo que confias? E a tua esperança, a retidão dos teus caminhos? Em outras palavras, é como se o amigo de Jó dissesse.

**[0:49](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=49s)** Onde está a fé no teu Deus? Você sempre ensinou aos outros e agora esquece aquilo que ensinou e fica apenas se lamentando diante de Deus? Então os teus ensinos só servem para os outros. Mas para você não serve? Afinal, você não é crente?

**[1:07](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=67s)** Em um momento de aflição, você já deve ter ouvido isso de seus amigos. Ou pior, você mesmo já disse essa frase para alguém. Mas Jó, então, responde. Não precisa abrir o texto, mas lá em Jó 6, 12, Jó responde, aí ele faz da seguinte maneira.

**[1:25](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=85s)** Acaso a minha força é a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne? Eu vou repetir. Acaso a minha força é a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne? É como se Jó respondesse para ele, o que você quer que eu faça?

**[1:46](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=106s)** A minha dor é verdadeira. Ela é real. Eu não estou inventando. Minha carne não é de bronze. Eu tenho sentido a dor não só em minha carne, mas também em minha alma. Enquanto eu estava preparando o sermão, eu lembrei de uma passagem, de um trecho do livro do Charles Spurgeon.

**[2:07](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=127s)** Eu quero ler com vocês, eu peço para vocês me acompanhar. O livro é Lições aos Meus Alunos. E ele diz um relato bem interessante, que ele começa assim. Num vagão de trem, eu vi na semana passada um pobre homem com a perna estendida sobre o assento.

**[2:28](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=148s)** Um funcionário vendo-o nessa posição, observou-lhe. Estes estofados não foram feitos para você pôr nele as suas botas sujas. Logo que o guarda se foi, o homem tornou a estender a perna e me disse. Estou certo de que ele nunca fraturou a perna em dois lugares.

**[2:45](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=165s)** Ou não seria tão duro comigo? Quando ouço irmãos que vivem comodamente com boa renda, condenarem outros muito provados por estes não se regozijarem como aqueles, percebo que nada sabem dos ossos quebrados que outros têm que arrastar durante toda a sua peregrinação.

**[3:03](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=183s)** E o ponto aqui de Spurgeon, e o ponto também do livro de Jó, é que muitas vezes a gente quer inferiorizar o sofrimento das pessoas. A gente quer aconselhar elas, assim como um amigo dele disse. Olha, você não está temendo a Deus o suficiente.

**[3:18](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=198s)** Você não está tendo fé o suficiente. Mas, inferiorizar o sofrimento das pessoas é algo, além de insensível, é severamente condenado por nosso Senhor Jesus Cristo. Eu vou ler agora aqui para vocês, Mateus 25, 41 a 46. É um texto bem conhecido.

**[3:38](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=218s)** Eu vou ler apenas para trazer a memória de vocês, para justamente vocês verificarem como o nosso Senhor Jesus Cristo condena a insensibilidade ao sofrimento alheio. Mateus 25, 41 a 46. Fala assim. Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda, apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.

**[4:04](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=244s)** Porque tive fome e não me deixes de comer. Tive sede e não me deixes de beber. Sendo forasteiro, não me hospedaste. Estando nu, não me vestiste. Achando-me enfermo e preso, não foste me ver. E eles lhe perguntarão, Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos?

**[4:30](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=270s)** Então lhe responderá, Em verdade vos digo que sempre que o deixasse de fazer a um desses mais pequeninos, a mim o deixasse de fazer. Irão este para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna. O texto é bem claro de que nós não devemos ser insensíveis ou alheios ao sofrimento humano.

**[4:52](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=292s)** Principalmente daqueles irmãos da fé. E eu pergunto para você, o irmão que de repente está ao seu lado agora. Calma, não vou pedir para você falar nada para ele, não. Mas você sabe se ele necessita de algo? E eu não estou falando de dinheiro somente.

**[5:08](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=308s)** Mas você sabe se ele necessita conversar? Talvez ele precise desabafar algo. Ou apenas ele está deslocado em meio à tamanha quantidade de pessoas aqui na congregação. Mas você está preocupado com isso? Ou será que a gente está mais interessado em se manter no nosso habitual grupo de amigos?

**[5:30](https://www.youtube.com/watch?v=gXIVdT94TGw&t=330s)** Será que ao invés de a gente se preocupar em conhecer as pessoas e criar então intimidade com elas para que haja confissão de pecados, para que a gente cresça de maneira mútua para a glória de Deus, essa tem sido a nossa preocupação?

---

*Gerado por [Lume](https://acervo.moretes.com) — biblioteca de pregações da Igreja Batista Reformada de São Bernardo do Campo. Textos de IA precisam ser verificados na fonte.*